MENAHEM KAHANA / AFP
MENAHEM KAHANA / AFP

Benny Gantz, um general que sonha em ser premiê de Israel

Mais bem-sucedido desafiante de Netanyahu propõe aos israelenses uma linha dura para defender o país e uma visão mais liberal em temas sociais e religiosos

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2020 | 07h00

O general Benny Gantz, ex-comandante do Estado-Maior de Israel, cultiva uma imagem de político sem passado judicial contra o seu rival nas eleições de segunda-feira, 2, Binyamin Netanyahu, acusado de corrupção, mas, que como ele, coloca a segurança em primeiro lugar.

Antes de entrar na batalha eleitoral israelense no final do ano passado, o ex-paraquedista de 60 anos era um novato na política e agora lidera a coalizão Kahol Lavan (Azul e Branco), as cores da bandeira do país.

Congregando os opositores ao primeiro-ministro, conseguiu, com sua lista reunindo personalidades da esquerda e da direita, empatar com Netanyahu nas legislativas de abril e de setembro de 2019. Sua mensagem é clara: o objetivo é tirar Netanyahu do poder, a quem acusa de colocar em perigo as instituições do país.

Gantz propõe aos israelenses uma linha dura para defender o país e uma visão mais liberal em temas sociais e religiosos. 

"Nos dias em que comandava a unidade de combate 'Shaldag' em operações no território inimigo, arriscando nossas vidas, você, Binyamin Netanyahu, passava com coragem e determinação de uma sessão de maquiagem para outra nos cenários de televisão", criticou o general de quase dois metros de altura.

O militar promete unidade após anos de divisão e "tolerância zero" contra os corruptos, no momento em que Netanyahu enfrenta um possível indiciamento por corrupção. Gantz confia em receber os votos dos eleitores de centro e de parte da coalizão de direita de Netanyahu para tornar-se o terceiro ex-comandante do Estado-Maior israelense a alcançar o cargo de primeiro-ministro, depois de Yitzhak Rabin e Ehud Barak.

Programa de governo 

Os adversários criticam o programa de governo de Gantz, que chamam de "supermercado", no qual se encontra de tudo. Benny Gantz nasceu em 9 de junho de 1959 no sul de Israel, na localidade de Kfar Ahim, fundada com a contribuição de seus pais, imigrantes que sobreviveram ao Holocausto.

Gantz se alistou no exército como recruta em 1977, superou os testes de seleção dos paraquedistas e subiu na hierarquia. Dirigiu a Shaldag, unidade de operações especiais da aviação e, mais tarde, liderou uma brigada e finalmente uma divisão na Cisjordânia ocupada.

Foi adido militar de Israel nos Estados Unidos de 2005 a 2009 e comandante do Estado-Maior de 2011 a 2015. Dirigiu operações durante duas guerras contra a Faixa de Gaza. Em um de seus vídeos, ele se orgulha do número de "terroristas" palestinos mortos durante a campanha de 2014 em Gaza, sem mencionar as vítimas civis. Em outro, afirma não ter vergonha de buscar a paz com os árabes.

Sem menção a dois Estados

A plataforma do Kahol Lavan defende uma separação entre israelenses e palestinos, mas não menciona a solução de dois Estados. Sobre este tema, o estatuto de Jerusalém, a anexação de parte do Golã ou a política a respeito do Irã é difícil estabelecer diferenças entre o programa de Gantz e o ponto de vista de Netanyahu.

Os adversários de Gantz criticam sua inexperiência política e afirmam que no posto de comandante ele foi indeciso e reticente no momento de assumir riscos. Também apontam sua culpa no que consideram falta de preparo na guerra de 2014 em Gaza.

Gantz é formado em História pela Universidade de Tel Aviv, tem mestrado em Ciências Políticas pela Universidade de Haifa e outro em Gestão de Recursos Nacionais da National Defense University dos Estados Unidos. É casado e pai de quatro filhos. / AFP

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