Bento XVI alerta crianças sobre 'tentações da cultura de celebridades'

Pontífice ressalta papel da educação e pede garantias de ambiente 'seguro e confiável' para crianças

Associated Press

17 de setembro de 2010 | 09h48

 

LONDRES - O papa Bento XVI, em seu segundo dia de visitas ao Reino Unido, visitou uma colégio católico em Londres e pediu às crianças que ignorem as "rasas tentações da cultura da celebridade" e pressionou os seus professores a sempre oferecer aos menores um ambiente confiável e seguro.

 

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"É o mínimo que nossa responsabilidade sobre essas crianças, confiadas a nós para a formação cristã, exige", disse o pontífice. "A vida na fé só pode ser promovida quando a atmosfera que prevalece é respeitosa e confiável", continuou.

 

Na quinta-feira, Bento XVI admitiu que a Igreja Católica falhou em reagir tardiamente em relação às denúncias de pedofilia envolvendo padres e bispos. "Tenho de dizer que sinto uma grande tristeza. Tristeza porque a autoridade da Igreja não foi suficientemente vigilante, nem suficientemente veloz, nem decidida para tomar as medidas necessárias", disse.

 

Pesquisas apontam que no Reino Unido - onde os católicos representam apenas 10% da população - há uma profunda insatisfação com o modo como o papa administrou o escândalo dos abusos sexuais na Igreja. Tanto católicos quando o resto da população, predominantemente protestante, criticaram a gestão papal sobre o caso. Além disso, ele tem enfrentado protestos durante sua visita por fiéis que o acusam de ignorar o país.

 

Bento XVI foi recebido por cerca de 4 mil crianças, que entoaram canções para o pontífice. Este, por sua vez, ressaltou o papel "fundamental" dos educadores em formar novas gerações fiéis e civilmente responsáveis. Na ocasião, defendeu que as escolas garantam o "ambiente seguro para jovens e crianças".

 

Dirigindo-se às crianças, Bento XVI disse que elas devem trabalhar para ser santos e não devem ceder às tentações materiais de riqueza e fama que prevalecem na cultura das celebridades de hoje em dia. "Ter dinheiro abre possibilidades para ser generoso e fazem coisas boas, mas não é o bastante para nos fazer feliz. Precisamos ter a coragem de confiar somente em Deus, não no dinheiro, na carreira, no sucesso e em nossos relacionamentos", disse.

 

O papa ainda defendeu o estudo assíduo, mas falou com cautela da ciência. "O mundo precisa de bons cientistas, mas uma descoberta científica se torna perigosamente estreita se ela ignora as dimensões ética e religiosa da vida, assim como a religião se reduz se rejeita a contribuição legítima da ciência para nossa compreensão do mundo", disse.

 

 

Protestos

 

Há algumas quadras do colégio onde Bento XVI discursou, cerca de 30 pessoas protestavam contra a rejeição do papa à homossexualidade e à proibição da Igreja sobre o uso de preservativos para combater a aids. Eles levavam cartazes com os dizeres "Preservativos não são um crime" e "A ciência faz você voar para a Lua; a religião faz você voar contra prédios".

 

Cinco homens foram presos por suspeita de planejar atentados contra o papa, informou a polícia de Londres. Nenhuma evidência foi encontrada, mas as autoridades realizam buscas e não alteraram o planejamento de segurança por conta disso.

 

A visita do pontífice ao Reino Unido começou na quinta, quando ele se encontrou com a Rainha Elizabeth II em Edimburgo, na Escócia. Em um discurso polêmico, ele falou sobre "uma tirania nazista que tentou erradicar Deus da sociedade" e pediu que o país evite "formas agressivas de secularismo".

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