Claudio Peri/Efe
Claudio Peri/Efe

Bento XVI critica imprensa por passar imagem 'que não é real' do Vaticano

Para Papa, prisão de mordomo por roubo de documentos gerou 'tristeza'

Efe,

30 Maio 2012 | 12h30

CIDADE DO VATICANO - O papa Bento XVI afirmou nesta quarta-feira, 30, que a prisão de seu mordomo pelo roubo documentos reservados gerou muita "tristeza" e que alguns veículos de imprensa transmitiram uma imagem do Vaticano que não se corresponde com a realidade.

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Em um discurso na Praça de São Pedro, o papa, sem citar diretamente a prisão de seu mordomo, Paolo Gabriele, disse que o ocorrido "gerou muita tristeza" em seu coração, mas que jamais duvidou que "o Senhor abandonaria sua Igreja".

"No entanto, as deduções, amplificadas por alguns veículos de imprensa, se multiplicaram gratuitamente e foram além dos fatos, gerando uma imagem da Santa Sé que não corresponde com a realidade", afirmou Bento XVI, em referência ao novo escândalo que abalou o Vaticano.

O pontífice acrescentou que, "por tudo isso", renova sua "confiança" em todos aqueles que, com fidelidade e em silêncio, ajudam a seguir em seu magistério, "a começar por meus mais estreitos colaboradores".

O mordomo Paolo Gabriele, de 46 anos, foi detido pela Gendarmaria Vaticana no último dia 24 sob a acusação de roubar documentos reservados enviados ao papa Bento XVI.

Os agentes encontraram em seu domicílio documentos reservados, muitos dos quais foram divulgados pela imprensa e publicados no livro "Sua Santità", do italiano Gian Luigi Nuzzi.

Até o momento, a única pessoa acusada formalmente pelo vazamento de documentos reservados do Vaticano é Gabriele, acusado de roubo com agravante, segundo disse ontem o porta-voz vaticano, Federico Lombardi, que também negou que outros cinco cardeais estejam sendo investigados.

Gabriele está preso em uma sala de segurança máxima do Vaticano e, segundo Lombardi, está decidido a colaborar com a Justiça.

"O mordomo ainda não foi interrogado pelo juiz instrutor, Piero Bonet", disse Lombardi, que assinalou que o papa sofre "uma dor particular", já que se trata de seu mordomo, "uma pessoa muito próxima, amada e respeitada".

O Vaticano, segundo afirmou nas últimas horas o arcebispo Angelo Becciu - "número três" da Santa Sé -, está disposto a enfrentar "com determinação e confiança essa situação francamente difícil".

 

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