Bento XVI perdoa ex-mordomo por vazar documentos

O papa Bento XVI concedeu hoje o perdão de Natal ao seu ex-mordomo, desculpando-o pessoalmente por roubar e vazar documentos particulares em uma das mais graves brechas de segurança do Vaticano nos últimos tempos. Depois de um encontro de 15 minutos, Paolo Gabriele foi liberado e retornou ao seu apartamento na Cidade do Vaticano, onde vive com a esposa e três filhos.

EQUIPE AE, Agência Estado

22 de dezembro de 2012 | 15h09

O Vaticano informou que ele não poderá continuar vivendo e trabalhando lá, mas disse que encontrará emprego e moradia para Gabriele em outro lugar muito em breve. "Este é um gesto paternal para alguém com quem o papa compartilhou a vida diária por muitos anos", de acordo com o comunicado do secretariado do Vaticano.

O perdão encerra um capítulo doloroso e constrangedor para o Vaticano, coroando um escândalo no melhor estilo hollywoodiano que expôs disputas por poder, intrigas e alegações de corrupção e ligações homossexuais nos mais altos patamares da Igreja Católica.

Gabriele, 46, foi preso em 23 de maio depois que a polícia do Vaticano encontrou o que chamou de um "enorme" esconderijo de documentos papais no seu apartamento. Ele foi condenado por roubo grave pelo tribunal do Vaticano em 6 de outubro e, desde então, esteve cumprindo uma sentença 18 meses no quartel policial.

O ex-mordomo do papa disse aos investigadores que deu os documentos ao jornalista italiano Gianluigi Nuzzi porque achou que o pontífice não estava sendo informado do "mal e da corrupção" no Vaticano e pensou que expondo-os publicamente colocaria a Igreja no caminho certo.

Durante o julgamento, Gabriele testemunhou que amava Bento XVI "como um filho ama seu pai" e que nunca teve a intenção de prejudicar o pontífice ou a Igreja. Uma foto tirada durante o encontro deste sábado - a primeira entre Bento XVI e aquele que um dia foi seu mordomo de confiança - mostra Gabriele vestido em seu típico terno cinza escuro sorrindo. As informações são da Associated Press.

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