Bento XVI torna-se primeiro papa a renunciar em 600 anos

Bento XVI tornou-se nesta quinta-feira o primeiro papa a renunciar em 600 anos, encerrando um pontificado de oito anos marcado por dificuldades para conduzir a Igreja Católica em meio a escândalos de abuso sexual e para promover um novo despertar da fé cristã diante de um mundo indiferente.

AE, Agência Estado

28 de fevereiro de 2013 | 18h42

A jornada do 265º papa rumo à aposentadoria começou com uma emocionada despedida no Vaticano, com os prelados católicos ajoelhados para beijar o anel papal de Bento XVI uma última vez.

O assessor mais próximo do papa chorou enquanto percorria ao lado de Bento XVI o caminho até a saída do Palácio Apostólico.

Enquanto os sinos dobravam na Praça São Pedro e nas torres das catedrais romanas, Bento XVI seguia de helicóptero para o retiro de Castelgandolfo, nas colinas ao sul de Roma.

Pouco antes, em um discurso de despedida a seus cardeais no Vaticano, Bento XVI buscou atenuar a preocupação em relação ao futuro do alto comando católico. Ele prometeu "obediência e reverência incondicionais" a seu sucessor.

Ele pediu aos cardeais que trabalhem em união para que o Colégio de Cardeais soe "como uma orquestra", onde "a concordância e a harmonia" possam ser alcançadas, numa clara mensagem ao conclave que vai escolher o próximo líder de um rebanho estimado e 1,2 bilhão de católicos.

O papa pediu aos cardeais - os chamados "príncipes" da igreja católica - que deixem suas diferenças de lado na escolha do próximo pontífice e prometeu orar por eles.

Depois de deixar o Vaticano de helicóptero, já em Castelgandolfo, Bento XVI dirigiu-se aos fiéis católicos pela última vez como papa e disse a seus seguidores que inicia agora o último estágio de sua vida como um "simples peregrino".

O papa também despediu-se dos fiéis em sua conta no microblog Twitter: "Obrigado pelo amor e pelo apoio. Que vocês sintam sempre a alegria de colocar Cristo no centro de suas vidas".

Pouco depois das 20h locais (16h em Brasília), ao dobrar de sinos, os integrantes da Guarda Suíça em Castelgandolfo fecharam os portões do palácio de verão, encerrando simbolicamente um papado que entrará para a história pela forma como terminou: com a renúncia do pontífice, ao invés de sua morte.

No momento da troca de guarda, os integrantes da Guarda Suíça entregaram a responsabilidade pela proteção de Joseph Ratzinger à polícia do Vaticano. Em frente ao retiro papal, fiéis gritavam "viva o papa".

Bento XVI deixa para trás uma Igreja em crise. Nos últimos anos, o Vaticano tornou-se mais famoso por suas intestinas disputas de poder do que pelo exercício dos princípios cristãos. O próprio mordomo do papa vazou documentos que expuseram as divisões internas e as intrigas no alto escalão da burocracia vaticana.

Na segunda-feira da próxima semana, os cardeais católicos se reunirão no Vaticano com o objetivo de estabelecer a data do início do conclave que elegerá o sucessor de Bento XVI. Enquanto o próximo papa não é escolhido, o Vaticano será administrado pelo cardeal camerlengo Tarcísio Bertone. As informações são da Associated Press.

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