STR / AFP
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Berço da pandemia, Wuhan tem megafesta eletrônica no fim de semana

Pandemia já afetou 22 milhões de pessoas no planeta e mortes se aproximam de 800 mil

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2020 | 14h45

WUHAN - Milhares de chineses ignoraram o coronavírus e participaram de uma grande festa de música eletrônica no fim de semana em um parque aquático em Wuhan, onde a covid-19 surgiu no final de 2019, o que gerou polêmica nesta segunda-feira, 17, nas redes sociais.

Depois de ser submetida a uma quarentena rigorosa de 76 dias entre janeiro e abril, sendo a primeira cidade em que essas medidas foram aplicadas devido ao novo coronavírus, a metrópole de Wuhan foi gradativamente retirando as restrições e voltou à normalidade.

O Maya Beach Water Park ficou lotado e milhares de pessoas dançaram aglomeradas ao ritmo da música eletrônica, sem usar máscaras. Muitas também tomaram banho sem manter a distância de segurança. O parque aquático reabriu as portas em junho e está capacidade limitada a 50%, segundo a imprensa local, mas reduziu o preço da entrada em 50% para mulheres.

As imagens da festa divulgadas pela AFP geraram críticas e revolta nas redes sociais, no momento em que a pandemia já infectou quase 22 milhões de pessoas no mundo e o número de mortos se aproxima de 800 mil. 

Embora o vírus tenha surgido na China, o país conseguiu controlar a pandemia e agora tem apenas algumas dezenas de novos casos por dia, de acordo com os últimos dados oficiais. Muitos chineses continuam limitando suas viagens e usando máscaras em espaços públicos, mas o município de Wuhan está tentando retomar a economia, muito enfraquecida pelos efeitos da epidemia no início do ano. 

Na província de Hubei, cuja capital é Wuhan, não são registrados novos casos desde maio e as autoridades oferecem entradas gratuitas para 400 pontos turísticos.

Cenários semelhantes em outras nações 

Na terça, a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que cenários semelhantes têm sido registrados em outros países. “Não devemos culpar as pessoas por quererem viver suas vidas, todos nós queremos viver nossas vidas, todos queremos voltar ao que era ‘normal’", afirmou a epidemiologista Maria van Kerkhove, do Programa de Emergência em Saúde da OMS. 

"Precisamos ter certeza de que a informação que está chegando, principalmente aos jovens e às crianças, é que eles não são invencíveis", ressaltou. Nos últimos dias, houve relatos de festas também em regiões da Espanha e da Itália, alguns dos países mais afetados pelo vírus na Europa. 

A OMS alertou, no entanto, que a transmissão vem sendo cada vez mais impulsionada por pessoas na faixa etária entre os 20 e os 40 anos que, muitas vezes, não apresentam sintomas e desconhecem que estão infectadas. "Isso aumenta o risco de transmissão para os mais vulneráveis: os idosos, os doentes que precisam de cuidados em longo prazo, os que vivem em regiões densamente povoadas e áreas rurais sem serviços suficientes", afirmou o diretor da OMS para o Pacífico Ocidental, Takeshi Kasai.

Segundo a OMS, a região do Pacífico Ocidental, que abrange 27 países na Ásia e no Pacífico, já soma mais de 9,3 mil mortes e 400 mil casos confirmados de covid-19, o que representa 2,3% das infecções em todo o mundo.  / Com informações da AFP

 

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