AFP PHOTO / bertrand GUAY
AFP PHOTO / bertrand GUAY

Berlim adverte cidadãos sobre viagens à Turquia após prisão de ativista alemão

Ministro das Relações Exteriores da Alemanha disse que país vai discutir com UE sobre o futuro dos recursos recebidos por Ancara; governo turco reagiu à medida e denunciou 'grande irresponsabilidade política' da Alemanha

O Estado de S.Paulo

20 Julho 2017 | 08h33

BERLIM - A Alemanha reforçou a seus cidadãos nesta quinta-feira, 20, as advertências sobre viagens à Turquia, após a detenção de um militante alemão dos direitos humanos no país, anunciou o ministro das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, em meio à escalada de tensão bilateral.

O governo turco reagiu à medida e denunciou a “grande irresponsabilidade política” da Alemanha. “Enviar uma mensagem dizendo que viajar à Turquia não é seguro é uma grande irresponsabilidade política”, disse Ibrahim Kalin, porta-voz do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Em entrevista coletiva em Berlim, Gabriel também afirmou que haverá uma "reorientação" geral da política alemã em relação à Turquia. "Devemos ser mais claros do que até então, afirmando que as violações dos direitos humanos não podem ficar sem consequências", ressaltou.

As novas recomendações de viagens a Ancara são mais severas do que as já feitas anteriormente. "As pessoas que forem à Turquia por razões profissionais, ou pessoais, são encorajadas a uma prudência reforçada e, mesmo que para curtas estadas, a se registrar nos consulados", indica o texto publicado no portal do Ministério.

"Nesses últimos tempos, um certo número de alemães se viu privado de liberdade por razões, ou por uma duração, que não são compreensíveis", acrescenta a nota. Nove cidadãos alemães - alguns com dupla nacionalidade - estão detidos na Turquia, acusados de apoio ao "terrorismo".

A advertência feita por Berlim pode ter consequências econômicas imediatas, já que a Alemanha é o principal fornecedor de turistas da Turquia e um de seus principais parceiros comerciais.

Membro do Partido Social-Democrata, Gabriel destacou que as decisões foram tomadas em conjunto com a chanceler alemã, Angela Merkel.

Ancara mantém o alemão Peter Steudtner preso desde o dia 5 de julho, juntamente com outros militantes dos direitos humanos. Entre eles, está a diretora da Anistia Internacional para a Turquia, Idil Eser.

Gabriel acusou o governo de Erdogan de "estar fazendo o curso da História recuar" no país com o objetivo de "reduzir todas as vozes críticas ao silêncio". A "reorientação" da política alemã em relação a Ancara incluirá uma reavaliação de créditos, garantias e ajudas financeiras de Berlim às exportações, ou aos investimentos de empresas alemães nesse país.

O ministro disse ainda que a Alemanha vai "discutir com seus parceiros da União Europeia (UE)" sobre o futuro dos recursos recebidos pela Turquia no âmbito de seu processo de aproximação com o bloco.

De 2014 a 2020, a UE alocou cerca de € 4,45 bilhões para a Turquia como Fundos Europeus, conhecidos como "pré-adesão". Há anos, Ancara negocia sua entrada no bloco, mas no momento as discussões se encontram em ponto morto.

Reação

O governo turco reagiu nesta quinta-feira à convocação, por parte do governo alemão, do embaixador da Turquia em Berlim para protestar contra a detenção de Peter Steudtner, em Istambul, considerando "inaceitáveis" as críticas alemãs, e acusou Berlim de ingerência na Justiça turca.

"As declarações dos porta-vozes alemães são inaceitáveis", declarou o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, em um comunicado. "Constituem uma interferência direta na Justiça turca, que ultrapassa os limites.” / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.