Michele Tantussi/REUTERS
Michele Tantussi/REUTERS

Governo da Alemanha investiga ação de hackers russos

Berlim teme interferência da Rússia na eleição do dia 26, que determinará o sucessor da chanceler Angela Merkel

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2021 | 18h02

BERLIM - O Ministério Público Federal da Alemanha informou nesta sexta-feira, 10, que está investigando os responsáveis por uma série de tentativas de ataque de hackers contra deputados alemães, em meio a preocupações crescentes de que a Rússia está tentando interferir na eleição do dia 26.

A ação da promotoria ocorre depois que o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha informou, esta semana, que havia protestado junto à Rússia, reclamando que vários deputados estaduais e membros do Parlamento federal foram alvos de e-mails de phishing (roubo de informações online) e outras tentativas de obter senhas e informações pessoais.

Essas acusações levaram o MP a abrir uma investigação preliminar contra o que foi descrito como uma “potência estrangeira”. Os promotores não identificaram o país, mas citaram a declaração do Ministério das Relações Exteriores, deixando poucas dúvidas de que os esforços se concentraram na Rússia.

Em sua declaração, os promotores disseram que abriram uma investigação em conexão com a chamada “campanha Ghostwriter”, uma referência a uma campanha de hacking que a inteligência alemã diz que pode ser atribuída ao Estado russo e, especificamente, ao serviço de inteligência militar, conhecido como GRU.

Descobriu-se que a Rússia invadiu os sistemas de computador do Parlamento alemão em 2015 e, três anos depois, violou a principal rede de dados do governo alemão. A chanceler, Angela Merkel, protestou contra os dois ataques, mas seu governo não conseguiu encontrar uma resposta apropriada. A questão é agora especialmente sensível, ocorrendo semanas antes de os alemães irem às urnas para escolher um sucessor de Merkel, após os quase 16 anos no poder.

Moscou negou estar envolvida nas tentativas de ataque. “Apesar de nossos repetidos apelos por meio dos canais diplomáticos, nossos parceiros na Alemanha não forneceram nenhuma evidência do envolvimento da Rússia nesses ataques”, disse a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova.

Merkel não está concorrendo à reeleição e deixará o cargo depois que um novo governo for formado, o que significa que a eleição será crucial para determinar o futuro da Alemanha – e moldar seu relacionamento com a Rússia.

Dos três candidatos com maior probabilidade de substituir Merkel, Annalena Baerbock, dos Verdes, que prometeu assumir a posição mais dura contra Moscou, foi o alvo da campanha de desinformação mais agressiva.

Os outros dois candidatos – Armin Laschet, da União Democrata-Cristã (CDU), de Merkel, e Olaf Scholz, dos social-democratas (SPD), atualmente vice-chanceler de Merkel e ministro das Finanças – serviram em três dos quatro últimos governos e nenhum dos dois deve mudar a relação de Berlim com Moscou.

Merkel promulgou duras sanções econômicas contra a Rússia após a invasão da Ucrânia, em 2014, mas também manteve as linhas de comunicação abertas com Moscou. Os dois países têm laços econômicos importantes, incluindo mercado de energia, onde mais recentemente cooperaram na construção de um gasoduto de gás natural. / NYT

 

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