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Berlim revive tempos da Guerra Fria com sequestro de ex-executivo vietnamita

Berlim adotou uma postura altamente incomum ao acusar o Vietnã de raptar um ex-funcionário da PetroVietnam, alvo de acusações de má administração financeira em seu país, que pedia asilo ao governo alemão

O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 18h10

BERLIM - O sequestro misterioso de um ex-executivo vietnamita do setor petrolífero em plena luz do dia em um bairro arborizado de Berlim lembrou os desaparecimentos que aconteciam na Guerra Fria na então dividida capital alemã.

Berlim adotou uma postura altamente incomum ao acusar o Vietnã explicitamente de raptar Trinh Xuan Thanh, ex-funcionário da PetroVietnam que é alvo de acusações de má administração financeira em seu país e buscava asilo na Alemanha.

Seu advogado alemão, Victor Pfaff, suspeitou que algo estava errado quando seu cliente, de 51 anos, não apareceu para uma audiência sobre seu pedido de asilo no dia 24. "Foi totalmente atípico dele não aparecer, então eu soube imediatamente que algo havia acontecido", disse Pfaff.

Ele disse que testemunhas descreveram como homens armados empurraram um homem e uma mulher para dentro de um carro com placas checas perto das 10h40 do dia 23 diante do hotel Sheraton, no bairro de Tiergarten. Thanh estava hospedado no hotel do oeste de Berlim.

O carro saiu em disparada e Thanh não voltou a ser visto até reaparecer no comunista Vietnã na segunda-feira. Ele foi exibido na televisão estatal, que disse que ele se entregou depois de uma caçada humana de 10 meses.

Os dois países mantêm crescentes laços comerciais, mas um forte desentendimento sobre a abordagem vietnamita sobre direitos humanos. Críticos afirmam que o caso ilustra como o governo de partido único no país está aparentemente disposto a perseguir seus inimigos doméstico no exterior. 

Segundo o jornal The New York Times, as autoridades vietnamitas ofereceram um comunicado genético que esclareceu pouco o mistério. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Le Thi Thu Hang, afirmou que a chancelaria alemã havia "lamentado muito". Ela acrescentou que o Vietnã "sempre atribuiu grande importância" às relações estratégicas entre os dois países. / REUTERS e NYT 

 

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