Yves Herman/Reuters
Yves Herman/Reuters

Berlim suspeita que EUA espionaram celular de Merkel

Informada por assessores de que foi grampeada, chanceler alemã questiona líder americano, que nega acusações

O Estado de S. Paulo,

23 de outubro de 2013 | 16h18

BERLIM - Pouco após receber informações de que a inteligência americana teria grampeado seu celular pessoal, a chanceler alemã, Angela Merkel, ligou nesta quarta-feira, 23, para o presidente Barack Obama exigindo esclarecimentos. Obama assegurou a Merkel que os EUA não estão espionando suas comunicações.

A chanceler pediu "imediatas e abrangentes" explicações sobre as atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA) contra a Alemanha, segundo um comunicado do governo de Berlim. "(Merkel) deixou claro que vê essas práticas, caso sejam comprovadas, como completamente inaceitáveis e as condena de forma inequívoca."

O desgaste entre Berlim e Washington é mais um capítulo da crise desencadeada pelas revelações do ex-agente americano Edward Snowden, que expôs detalhes sobre o aparato de inteligência eletrônica que NSA opera em escala global, incluindo contra aliados americanos.

No dia anterior, ao receber o em Paris o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, o presidente François Hollande cobrou explicações sobre notícias publicadas no Le Monde de que missões diplomáticas e sistemas informáticos do governo da França haviam sido alvo dos espiões cibernéticos americanos. Hollande quer que esses escândalos constem da agenda da cúpula do Conselho Europeu, que será realizada nesta quinata-feira, 24. México e Brasil também já se irritaram com a bisbilhotice de Washington.

A revista alemã Der Spiegel já havia publicado informações sobre as práticas de espionagem eletrônica dos EUA contra a Alemanha. No entanto, as informações de que o telefone pessoal da chanceler estaria grampeado partiram do próprio governo alemão. Segundo a Spiegel, Merkel está levando "muito a sério" essas informações. O governo alemão disse estar mantendo reuniões de alto nível nos últimos dias com representantes da Casa Branca para discutir o caso.

Em mais um sinal do estrago provocado pelas denúncias, deputados europeus aprovaram nesta quarta-feira, 23, um texto recomendando que o bloco amplie garantias de privacidade digital e suspenda um acordo com os EUA por meio do qual a inteligência americana tem acesso a uma base de dados com informações financeiras da Europa. O tratado entre Washington e Bruxelas oficialmente tem por objetivo investigar movimentações de dinheiro de suspeitos de terrorismo, rastreando o chamado código Swift. Mas, segundo a maioria dos integrantes do braço legislativo da União Europeia, há provas de que o governo americano  extrapolou os limites do acordo e coletou informações desvinculadas da luta antiterror.

A decisão do Parlamento Europeu não tem poder vinculante – ou seja, resume-se a uma recomendação aos 37 governos do bloco. A Comissão Europeia, equivalente ao poder executivo da UE, disse ainda estar aguardando garantias dos EUA e negou que suspenderá, nos próximos dias, o acordo. / REUTERS e AP

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