Berlusconi alega problema de saúde e consegue adiar audiência

Procuradora do caso 'Rubygate', que investiga prostituição de menor, vê motivação política em manobra de advogados

ROMA, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2013 | 02h36

Juízes italianos decidiram ontem adiar uma audiência do processo sobre exploração de prostituição de menores, no qual o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi é réu, depois de o político, que tenta voltar ao comando da Itália, ter sido internado para tratar de um "problema ocular".

O caso, o mais escandaloso dos três que envolvem Berlusconi, chegou à reta final no momento em que o ex-premiê tenta seu retorno político - ele foi o segundo mais votado das eleições gerais.

No processo, Berlusconi é acusado de ter contratado Karima el-Mahroug, uma prostituta menor de idade, em orgias organizadas em sua mansão, conhecidas popularmente como bunga-bunga, e de ter usado sua influência para impedir que ela fosse presa por roubo.

A audiência foi protelada depois de os advogados do ex-premiê pedirem um adiamento do depoimento. Segundo eles, Berlusconi sofre de "dor, intolerância à luz e visão embaraçada". Ele passou o dia em um hospital de Milão, onde deve ficar em observação até a manhã de hoje.

A procuradora Ilda Bocassini acredita que a internação é uma tática da defesa para atrasar o processo, já que a Itália passa por negociações para a formação de um governo e novas eleições podem ser convocadas pelo presidente Giorgio Napolitano. A juíza Giulia Turri, no entanto, aceitou o recurso. Por lei, Berlusconi tem direito a estar presente às audiência.

A sentença final do caso está prevista para o dia 18 de março, mas, até a noite de ontem, ainda não estava claro se o adiamento do depoimento influiria na data. Berlusconi diz ser inocente e perseguido pelo Ministério Público italiano.

Os advogados do ex-premiê também pediram para adiar uma audiência em outro caso de corrupção do ex-premiê, que envolve irregularidades fiscais na compra do grupo Mediaset.

Impasse. O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, pediu ontem que um novo governo seja formado rapidamente no país. Ele também defendeu a união entre os grupos políticos. O Partido Democrático (PD), primeiro nas eleições, falhou em obter uma coalizão. / REUTERS

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