Berlusconi ameaça não pagar impostos se não eleger presidente

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, qualificou neste domingo de "proposta indecente" que se apresente um político de esquerda como presidente da República e ameaçou não pagar os impostos se os conservadores não se sentirem representados nas instituições.O Parlamento e os representantes das regiões iniciarão na segunda-feira as votações que levarão à escolha de um novo presidente, mas ainda não há um nome de um candidato que reúna um amplo consenso.O candidato da União, Massimo D´Alema, presidente de Democráticos de Esquerda (DS), conta com a oposição dos conservadores, que apostam no subsecretário da presidência do governo, Gianni Letta.A tensão se tornou visível neste domingo com as palavras de Berlusconi, que participou de um ato em Milão para as eleições locais do dia 28. "Não acreditamos nos senhores da esquerda, que ocupam todas as instituições, deixando de fora nossa parte política, que praticamente é a mais dinâmica e produtiva. Não podemos aceitar uma coisa semelhante", indicou, lembrando que a União ganhou as recentes eleições por uma margem estreita."Não aos impostos sem representação", disse Berlusconi. "Se não nos sentirmos representados, se não estivermos nas instituições, não aceitaremos pagar os impostos. Nós também faremos a greve que eles fizeram. Nós também faremos a greve fiscal e a obstrução no Parlamento".Se um representante da esquerda "ocupar o cargo máximo do Estado", Berlusconi prometeu que liderará, "em primeira pessoa, uma oposição nunca vista na Itália". A proposta para a Presidência da República de "um político de um partido de esquerda é simplesmente indecente e no limite da emergência democrática", assegurou.Assim, Berlusconi expressou um "não" categórico a qualquer candidato que tenha "o coração na esquerda" e afirmou que "quer um que tenha o coração na centro-direita".Em referência ao atual presidente, Carlo Azeglio Ciampi, figura de grande prestígio e que quase todos esperavam que se candidatasse à reeleição, afirmou que "foi um cavalheiro, com o coração na esquerda, que respeitamos".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.