Berlusconi anuncia volta à política italiana

Horas depois, presidente da Itália, Giorgio Napolitano, afirmou que atual premiê, Mario Monti, renunciará ao cargo após aprovação do orçamento

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2012 | 02h05

Silvio Berlusconi anunciou ontem que irá concorrer de novo ao posto de primeiro-ministro da Itália e jogou o governo do atual premiê, Mario Monti, em uma crise que ameaça abrir um novo período de turbulência na economia europeia.

Horas após o anúncio de Berlusconi, o presidente Giorgio Napolitano, em comunicado, disse que Monti renunciará ao cargo "assim que o Parlamento aprovar o orçamento para o ano que vem". "Monti não acredita ser possível continuar seu mandato", diz a nota emitida pelo escritório do presidente italiano.

Berlusconi, que já foi premiê em três ocasiões, disse que disputará as eleições de 2013 mesmo depois de ter sido afastado de seu cargo há 13 meses e substituído por um governo de tecnocratas que teve como missão salvar a Itália de um colapso financeiro. Roma estima que o pleito ocorra dia 10 de março.

Berlusconi, que participará de sua sexta eleição aos 76 anos e tem vários processos nas costas, declarou que voltava à política por uma questão de "responsabilidade". Falando do centro de treinamento do Milan, ele deixou claro que entrou na disputa "para vencer".

Quando foi derrubado, prometeu que nunca mais voltaria à política. Meses depois, ao ser condenado por crimes financeiros, anunciou que seria "obrigado" a retornar para reformar o Judiciário. Ontem, se apresentou como o líder que tiraria a Itália da recessão. "Esse governo insistiu em políticas que não convenceram, que a austeridade não afetaria o crescimento. Mas o dano já foi feito", disse.

Berlusconi caiu no fim de 2011 depois que ficou claro para os partidos políticos do país e para todos os governos europeus que ele não teria como frear a crise que assolava a Itália. O temor era o de que o colapso do país significaria o provável fim do euro.

Pesquisas apontam que o partido Povo da Liberdade (PDL), liderado por Berlusconi, está 20 pontos abaixo de Luigi Bersani, de centro-esquerda. O magnata admitiu que seu partido tentou buscar novos líderes, mas fracassou.

"Regresso por desespero. A vontade de todos era que encontrássemos um novo líder, como o Berlusconi de 1994, mas não o encontramos. Temos uma nova liderança, com o fantástico Angelino Alfano, mas ele precisa de tempo para se impor como líder. Todas as sondagens mostravam o PDL em um nível que não é suficiente para enfrentar a esquerda", explicou o ex-primeiro-ministro.

Parte da oposição italiana acusa Berlusconi de usar o poder político para tentar se blindar de processos. Em muitos, ele corre o sério risco de ser condenado a prisão por crimes financeiros e assédio sexual. O anúncio de ontem repercutiu em toda a Europa e, para analistas, poderá abrir um novo período de turbulências a partir de amanhã, quando as bolsas voltam a operar. Na sexta-feira, diante da ameaça da volta do ex-premiê, o risco país da Itália subiu.

Monti, que adotou uma calma diferente de Berlusconi, ontem perdeu a paciência. "É absolutamente necessário que o país não volte a cair na situação em que se encontrava antes da chegada deste governo, Havia o risco de a Itália explodir toda a zona do euro", disse o premiê.

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