Berlusconi avalia opções e pode visitar o presidente

Após perder a maioria em uma votação importante no Parlamento, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, vai avaliar quais são suas opções, incluindo visitar o presidente do país Giorgio Napolitano e possivelmente renunciar, segundo afirmou um porta-voz dele. "Ele está refletindo sobre as escolhas a fazer, se visita o escritório do presidente ou não", disse o representante. O ministro da Defesa, Ignazio La Russa, disse que Berlusconi precisa visitar Napolitano.

AE, Agência Estado

08 de novembro de 2011 | 15h18

Na votação que ocorreu um pouco antes, da revisão do orçamento de 2011, o chamado rendiconto, o governo obteve 308 votos das 630 cadeiras da Câmara dos Deputados, o que indica que não possui mais a maioria. A matéria foi aprovada, com 321 abstenções, segundo informações da agência Ansa. Os deputados do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, da Itália dos Valores (IdV), de esquerda, e dos partidos de centro e direita dissidentes do governo Berlusconi compareceram ao plenário mas não votaram, numa tática para mostrar que o premiê não possui mais a maioria.

Isso é importante, porque na próxima semana o governo precisa aprovar em outra votação na Câmara as medidas de austeridade exigidas pela União Europeia. Se Berlusconi não tiver os 316 votos necessários para a maioria simples, pode ser derrotado no plenário.

"O governo não possui mais a maioria na Câmara, isso é um fato. Por isso eu pedi a Berlusconi que vá ao Quirinale (palácio presidencial)", disse Pier Luigi Bersani, líder do PD. Napolitano pode pedir um voto de confiança no Parlamento, a ser realizado nos próximos dias. Outra opção seria Berlusconi apresentar diretamente a renúncia do governo ao presidente. "Peço ao presidente do Conselho (Berlusconi) que perceba finalmente qual é a situação e tome uma medida. Peça demissão. Deixe com o presidente da República a busca de uma solução que ofereça ao nosso país a possibilidade de enfrentar esta emergência", disse Bersani à agência Ansa.

O principal aliado de Berlusconi, Umberto Bossi, líder da xenófoba Liga Norte, pediu mais cedo a Berlusconi que renuncie e que seu herdeiro político, o ex-ministro da Justiça Angelino Alfano, seja nomeado primeiro-ministro de um governo de transição. Bossi é um aliado instável. Em 1994, Bossi e a Liga Norte retiraram o apoio e derrubaram o primeiro governo Berlusconi, que durou menos de um ano.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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