Berlusconi briga com empresários a três semanas da eleição

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, entrou num perigoso confronto com a cúpula da Confederação da Indústria Italiana (Confindustria), a menos de três semanas das eleições. A polêmica começou quando Berlusconi discursava numa reunião da Confindustria, no sábado, e atacou os empresários e jornais que apóiam a esquerda. Os ataques de Berlusconi continuaram na noite de segunda-feira, durante uma entrevista à emissora de TV particular Odeon, na qual ele denunciou um acordo entre as grandes empresas, que esperam receber favores da esquerda e dos sindicatos. "Há uma trama entre estes grandes grupos, os grandes bancos que depois controlam também os jornais", afirmou. O dono da fábrica de calçados Tod´s, Diego della Vale, um dos maiores críticos do governo e um dos alvos de Berlusconi, apresentou na noite de segunda-feira sua renúncia ao posto de diretor da Confindustria para "evitar instrumentalizações". Em seu discurso no sábado, o primeiro-ministro tinha se dirigido a Della Vale para afirmar que, se um empresário "ficou louco e apóia à esquerda", é porque "tem muitos esqueletos no armário". No entanto, Berlusconi reafirmou nesta terça-feira que não tem absolutamente nada contra o empresário e que nunca disse uma palavra hostil sobre ele, pois quando falou de "esqueletos no armário" não se referia a Della Vale. O empresário afirmou em entrevista ao jornal La Repubblica que não tem "nada a esconder" e que espera explicações de Berlusconi. Ele opinou que o primeiro-ministro está perto de perder os nervos e precisa de muito repouso. A Confindustria também reagiu às acusações do primeiro-ministro. Um comunicado oficial denunciou a "tentativa de deslegitimação" por parte de Berlusconi, ao mesmo tempo que reforçava o caráter livre e independente da associação. O vice-presidente da Confindustria, Andrea Pininfarina, aconselhou-o a voltar à universidade para estudar economia. A visão de Berlusconi é de que "a Itália não vai mal, em absoluto", o que lhe rendeu críticas até por parte de alguns membros de seu governo, por excesso de otimismo.

Agencia Estado,

21 Março 2006 | 17h11

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