Angelo Carconi/AP
Angelo Carconi/AP

Berlusconi convenceu empresário a mentir, diz tribunal da Itália

Giampaolo Tarantini e sua esposa são soltos; situação do premiê pode se complicar

Agência Estado

27 Setembro 2011 | 15h26

ROMA - O empresário Giampaolo Tarantini, que tinha ligações com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, foi libertado nesta terça-feira, 27, em Nápoles, após um tribunal determinar que o premiê de 74 anos persuadiu Tarantini a mentir para a promotoria napolitana, informaram reportagens da imprensa italiana.

 

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Tarantini era acusado de levar prostitutas às festas nas mansões do político. O "caso Tarantini" como é chamado na Itália, agora passou para a promotoria de Bari, onde Tarantini aparentemente recrutava a maioria das mulheres enviadas às festas de Berlusconi. A mulher do empresário, Angela Devenuto, também foi libertada. A promotoria de Bari agora avaliará se existem elementos para indiciar Berlusconi.

 

A agência de notícias Ansa exibiu trechos da decisão tomada por um tribunal napolitano que ordenou a libertação de Tarantini. Ele foi detido em 1º de setembro sob acusações de ter extorquido centenas de milhares de euros de Berlusconi em troca de cooperar com o premiê nas investigações que ele sofre por envolvimento no esquema da prostituição. A prática não é crime na Itália, mas sim a exploração dessa atividade.

 

De acordo com a Ansa, a promotoria de Nápoles, que atendeu o pedido dos advogados de Tarantini para a libertação do acusado, determinou que Berlusconi na realidade é quem convenceu o empresário a mentir aos promotores para protegê-lo e pagou Tarantini generosamente para fazer isso. A promotoria escutou centenas de chamadas telefônicas grampeadas entre o premiê e Tarantini, feitas em 2008 e 2009, e também chamadas entre Berlusconi e algumas das mulheres que frequentavam suas festas.

 

Até agora, Berlusconi não foi acusado ou colocado sob investigação nesse caso e antes os promotores diziam que ele provavelmente era uma vítima de extorsão. O premiê, contudo, já está em julgamento em outro caso em Milão, sob acusação de ter pago uma garota marroquina de 17 anos por sexo. Tanto Berlusconi, que completa 75 anos nesta semana, quanto a garota, Kharima el-Marough, agora maior de idade, negam isso.

 

Tarantini admitiu ter pago várias mulheres para que frequentassem as festas de Berlusconi. Ele alegou que fez isso para cair no favor do premiê, que é o homem mais rico da Itália, e para melhorar suas atividades empresariais (ele é lobista). Mas Tarantini mantém a versão que Berlusconi não sabia disso.

 

Em Bari, sua cidade natal, Tarantini é investigado pela promotoria por supostamente favorecer a prostituição. Ao ordenar a detenção de Tarantini em 1º de setembro, a promotoria napolitana acusou o empresário de extorquir 500 mil euros do premiê (os quais Berlusconi disse que foram um presente a um amigo).

 

As gravações das chamadas, contudo, vazaram para a imprensa italiana. Nelas, o premiê se gaba das suas proezas sexuais, dizendo em uma chamada que teve relações com oito mulheres em uma noite. Em outra chamada, Berlusconi mostrava tédio com o cargo de primeiro-ministro, o qual exerceria a "tempo perdido".

 

Em outra conversa gravada, com o jornalista Valter Lavitola, que continua a ser investigado, Berlusconi chamou a Itália de "país de merda". Lavitola está foragido na Cidade do Panamá. Ele foi expulso da Ordem dos Jornalistas do Lácio e é suspeito de tráfico de influências.

 

Berlusconi afirma que nunca pagou por sexo e atribui os escândalos à sua fraqueza por "mulheres jovens e bonitas". Segundo ele, todos os casos movidos contra ele, inclusive os de evasão fiscal e corrupção, fazem parte de uma conspiração de "juízes comunistas" para derrubá-lo do poder e abalar seu império midiático. As informações são da Associated Press.

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