Berlusconi defende entrada da Rússia na União Européia

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, disse hoje que defende a inclusão da Rússia como membro da União Européia (UE), uma "visão" que ele tem há vários anos. "Eu considero a Rússia como um país ocidental e meu projeto é que a Federação Russa possa se tornar um membro da UE nos próximos anos", afirmou. "Eu quero ir mais longe. Eu tenho tido esta visão há anos", disse Berlusconi ao chegar em Bruxelas para a cúpula da UE. Segundo o primeiro-ministro italiano, em primeiro lugar a UE deveria retomar as conversações com Moscou sobre um acordo de parceria que foi suspenso durante a guerra entre Rússia e Geórgia, em agosto. O primeiro-ministro tem, há vários anos, um relacionamento bastante amigável com o premier russo, Vladimir Putin, tendo convidado ele e família para ficarem em sua residência pessoal na Sardenha. Já as relações entre a Rússia e a UE tem áreas de atrito que vão além da Geórgia. Elas incluem a ampliação da influência européia em países do leste que faziam parte do bloco soviético, os planos para a instalação de partes de um sistema de defesa de mísseis norte-americano na Polônia e na República Checa e a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Já a Rússia tem sido acusada de usar sua posição como grande exportador de petróleo e de gás para fins políticos e enfrentado críticas sobre seus supostos abusos aos direitos humanos e falhas na democracia durante as eleições presidenciais deste ano. Parceiro comercialMas Rússia e UE precisam uma da outra. Moscou é a principal fonte de petróleo e gás para a Europa e a Rússia é um mercado em rápida expansão para as empresas da Europa ocidental. Mais produtos russos são destinados à UE do que para qualquer outro lugar. O país já é o terceiro maior parceiro comercial do bloco, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que foi o negociador do cessar-fogo entre Rússia e Geórgia e cujo país está atualmente na presidência rotativa da UE, deu a entender que é favorável à retomada das conversações sobre o pacto de cooperação com a Rússia. Atualmente, as relações entre russos e europeus são definidas por um acordo de parceria datado de 1997, quando a Rússia ainda sofria com problemas econômicos referentes ao colapso da União Soviética. O novo acordo de parceria deve aprofundar as relações entre os dois lados, tanto política quanto economicamente, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de energia para a Europa, que está ansiosa por assegurar o abastecimento de petróleo e gás. As informações são da Dow Jones.

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