Berlusconi desafia deputados rebeldes e diz que não sai

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, disse nesta segunda-feira que não tem intenção de renunciar em breve, segundo noticiado pelo site do jornal Libero, citando uma entrevista por telefone com o premiê. Berlusconi teria dito que quer colocar uma revisão do orçamento de 2012 em votação no Parlamento nesta terça-feira, acrescentando que quer "ver cara a cara qualquer rebelde (do seu partido, o Povo da Liberdade)". A imprensa italiana tem divulgado vários relatos de deputados da coalizão de centro-direita de Berlusconi que ameaçam votar contra o governo amanhã, quando a Câmara dos Deputados, com 630 cadeiras, precisará aprovar ou rejeitar o orçamento vencido de 2011, o chamado rendiconto. Há duas semanas, o rendiconto foi rejeitado.

AE, Agência Estado

07 de novembro de 2011 | 15h54

Pelo menos seis deputados deixaram o Partido Povo da Liberdade, de Berlusconi, na semana passada, desertando para a União Democrática Cristã (UDC), herdeira do antigo partido democrata-cristão da Itália (centro).

O primeiro-ministro também disse que pretende "pedir um voto de confiança sobre a carta que a Itália enviou para o Banco Central Europeu (BCE) e a Comissão Europeia". No fim do mês passado, seu governo apresentou às autoridades europeias uma lista de reformas que pretende implementar nos próximos meses para conter o déficit orçamentário.

O grande temor na Europa é que a Itália não consiga pagar sua enorme dívida de ? 1,9 trilhão (US$ 2,6 trilhões) e precise de ajuda internacional. Isso seria muito caro para a Europa e poderia levar a uma moratória que quebraria a zona do euro e atingiria a economia mundial.

Durante a reunião das 20 economias mais desenvolvidas e dos emergentes, o G-20, Berlusconi precisou pedir ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que monitore as medidas econômicas adotadas pelo governo italiano, um passo humilhante para a terceira maior economia da zona do euro.

No mercado de bônus o yield pago pelo bônus de 10 anos do governo italiano saltou outros 0,33 porcentuais nesta segunda-feira para 6,58%, o nível mais alto desde que o euro foi criado em 1999. Com isso, o yield do título italiano fica mais próximo dos 7% pagos pelo governos de Portugal e da Irlanda por seus títulos.

James Waltson, professor de ciência política na Universidade Americana de Roma, disse que o tempo está cada vez mais curto para Berlusconi, mesmo que as eleições só estejam marcadas para 2013. "Ele poderá ir embora amanhã, ele poderá sair do governo na próxima semana. Mas devido à pressão cada vez maior e que vem do povo, acho que será mais cedo do que tarde", disse Waltson.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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