Berlusconi diz que não tentará se reeleger

Premiê afirma que está 'cansado', mas rejeita renúncia; ele deve apoiar o ministro da Justiça, Angelino Alfano, para as eleições de 2013

Reuters e Efe, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2011 | 00h00

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que não concorrerá às eleições para a chefia de governo em 2013. "Um homem de 77 anos não pode ser premiê", disse, em entrevista ao jornal La Repubblica publicada ontem. Berlusconi pretende apoiar o atual ministro da Justiça, Angelino Alfano, como próximo líder do partido e futuro candidato ao posto de premiê.

Depois dos inúmeros escândalos em que foi envolvido nos últimos meses e derrotas eleitorais, Berlusconi disse que está "cansado" e, se pudesse, deixaria o cargo imediatamente. Berlusconi, que já anunciara sua decisão em abril durante um jantar com correspondentes internacionais em Roma, destaca que também não pensa em tentar a presidência. "Não é que eu vá renunciar, embora tenha tanta vontade de fazer isso, mas, de todas as maneiras, não serei candidato."

No mês passado, Berlusconi perdeu a imunidade judicial por decisão da população em referendo, duas semanas depois da derrota em seus principais redutos eleitorais, como Milão, nas últimas eleições regionais. O premiê preferiu apostar no baixo comparecimento dos italianos para manter seu poder e errou, pois quase 60% dos eleitores foram às urnas.

Berlusconi enfrenta denúncias de corrupção, além de um processo judicial no qual é acusado de pagar para manter relações sexuais com uma menor.

Atritos. Na entrevista, Berlusconi criticou o ministro de Finanças italiano, Giulio Tremonti. O premiê questionou os esforços de Tremonti para controlar os gastos públicos da Itália e disse que o ministro "não é um jogador da equipe" e está preocupado apenas com os mercados financeiros, não com o povo. Mais tarde, Berlusconi declarou em um comunicado que o jornal tirou do contexto os comentários que ele fez ao repórter.

Tremonti é amplamente visto como responsável por blindar a Itália da crise na zona do euro, graças à sua insistência em medidas de redução do déficit. Mas sua situação ficou mais delicada com o pedido de prisão, feito por promotores, de seu ex-assessor Marco Milanese, acusado de corrupção.

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