Berlusconi diz que sua saída pode prejudicar economia

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, advertiu hoje que os mercados de dívidas poderiam "punir" o país se seu governo cair, levando a enormes cortes no setor de saúde e outros serviços públicos. Lembrando que agências de classificação de risco de crédito aumentaram sua atenção em relação à dívida soberana da Itália, Berlusconi disse que "agora não é hora de uma crise política".

PRISCILA ARONE, Agência Estado

21 de junho de 2011 | 16h55

A declaração foi feita ao Senado italiano, antes do voto de confiança sobre um projeto de crescimento econômico que havia sido aprovado mais cedo pela Câmara Baixa do Parlamento, onde a maioria de Berlusconi é mais frágil. Foi o 44º voto de confiança do atual governo, iniciado em 2008.

Berlusconi afirma que sua administração deve durar até 2013, dizendo que "não há alternativa" a seu governo, mas - referindo-se ao "legado" que ele espera deixar - levantou a possibilidade de não concorrer nas próximas eleições gerais. Ele também disse que seu governo deve conseguir realizar importantes reformas estruturais, lamentando o baixo crescimento econômico do país e o que chamou de "os mais altos impostos do mundo ocidental".

O primeiro-ministro prometeu que o imposto de renda italiano será reformulado antes das férias de verão (no Hemisfério Norte), com redução das atuais cinco categorias para apenas três. "Haverá categorias menores e mais baixas", disse. Berlusconi também afirmou que vai ordenar ao comitê interministerial, encarregado de supervisionar projetos de infraestrutura pública, que se reúna todo mês para acelerar os projetos remanescentes.

Ele disse que são "grotescas" as reportagens sobre as crescentes cisões em seu governo a respeito da política fiscal, afirmando que todos os membros de seu gabinete concordam que os "custos da crise atual não serão passados às futuras gerações". "Não iremos aumentar o déficit orçamentário por qualquer razão", afirmou.

A Itália projeta um déficit orçamentário de cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, mas prometeu equilibrar seu orçamento até 2014. Para isso, o governo deve indicar, no próximo mês, em seu plano fiscal de três anos, onde pretende alocar 40 bilhões de euros em economias orçamentárias que serão executadas em 2013 e 2014.

Como resultado desses limites fiscais, qualquer corte no imposto de renda terá de ser compensado por maiores cortes nos gastos públicos ou novos impostos, como um aumento no imposto sobre o valor agregado ou sobre vendas.

Na última sexta-feira, a agência Moody''s informou que estuda rebaixar a classificação do crédito soberano da Itália, citando yields (retorno ao investidor) mais altos para governos periféricos da zona do euro e um recente referendo que limita o uso de capital privado em investimentos de infraestrutura no setor de abastecimento. As informações são da Dow Jones.

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