Berlusconi é envolvido em novo caso de corrupção

Justiça abre outro inquérito contra ex-premiê, segundo colocado nas eleições italianas, que teria comprado senador da oposição

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / ROMA, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2013 | 02h05

Após obter quase 30% dos votos dos italianos, o ex-premiê Silvio Berlusconi voltou ontem a ser alvo da Justiça. Segundo os jornais Corriere della Sera e La Repubblica, o Ministério Público de Nápoles abriu um novo inquérito por suspeitas de corrupção contra "Il Cavaliere". A denúncia vem à tona enquanto cresce a pressão popular por uma aliança entre o ex-comunista Pier Luigi Bersani e o político "antissistema" Beppe Grillo.

A Justiça suspeita que o ex-premiê tenha "comprado" em 2006 senadores da base do então primeiro-ministro Romano Prodi. O objetivo de Berlusconi seria reduzir o apoio do rival no Parlamento até derrubá-lo do poder, o que aconteceu em 2008.

O líder de centro-direita já responde a vários processos por corrupção ativa e passiva, além de escândalos sexuais por corrupção de menores. Berlusconi foi condenado em primeira instância, mas até agora escapou de todas as penas definitivas e, mesmo às voltas com a Justiça, surpreendeu pelo bom desempenho nas urnas, na eleição de domingo e segunda-feira.

Embora Bersani tenha chegado em primeiro lugar na votação, a nova configuração do Parlamento italiano não permite a nenhuma aliança assumir, sozinha, o novo governo italiano. Ontem, foi lançada uma campanha por militantes do movimento "antissistema" 5 Estrelas (MS5), do comediante Grillo, pedindo a formação de um governo de coalizão entre Bersani e ele - o primeiro e o terceiro colocado nas eleições, respectivamente. O objetivo da petição é destravar o impasse político no qual o país está mergulhado desde o início da semana.

A campanha foi lançada pela internet por Viola, um jovem que se apresenta como eleitor de Grillo. A petição, que recebeu 85 mil comentários no intervalo de poucas horas, ontem, lança um apelo para que os deputados e senadores eleitos pelo M5S aceitem conceder um voto de confiança a Bersani, representante do Partido Democrático (PD), primeiro lugar na eleição.

A coalizão liderada pelo ex-comunista obteve a maioria na Câmara dos Deputados. No Senado, porém, prevaleceu a aliança de Berlusconi.

"Eu faço parte dos milhões de jovens que creem em uma revolução positiva que tornaria o país mais solidário, limpo e justo", justificou Viola, que defende a coalizão Bersani-Grillo para impedir que Berlusconi retorne ao poder. "Uma ocasião histórica se apresenta a nos todos, a de transformar a república e de abri-la ao futuro."

O manifesto pede ainda a realização de reformas políticas, como uma nova lei eleitoral, a reforma do parlamento - com redução do número de distritos, de deputados e de seus salários - e a criação de uma lei anticorrupção.

Sinal vermelho. A proposta, entretanto, vai na contramão das declarações de Grillo. Fortalecido pela eleição de 109 deputados e 54 senadores - o maior partido do novo Parlamento, embora não seja a maior aliança -, o líder do M5S até agora se recusa a abrir o diálogo com Bersani, a quem chamou de "morto que fala", na quarta-feira.

Ontem, Claudio Messora, um dos porta-vozes do comediante, exortou o PD e o Partido do Povo da Liberdade (PDL, centro direita), a agremiação de Berlusconi, a concederem voto de confiança ao M5S. "Se o PD e o PDL estão tão preocupados com a governabilidade, poderiam votar pela posso do primeiro governo do M5S", afirmou Messora. "Não pense em escapar de suas responsabilidades com piadas", respondeu Bersani minutos depois. "Vejo você no Parlamento." Ontem, o presidente Giorgio Napolitano garantiu que a Itália terá um novo governo em breve. "O país não está à deriva", assegurou.

Pelo menos até 15 de março, quando o novo Parlamento toma posse, o governo seguirá nas mãos do premiê demissionário, Mario Monti, quarto colocado nas eleições. Monti é o preferido dos mercados e da Alemanha, principal potência econômica da União Europeia.

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