Berlusconi faz apelo a juízes e não reconhece derrota

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, voltou a questionar a vitória da centro-esquerda, liderada por Romano Prodi, nas eleições da semana passada, com um apelo aos juízes que examinam os pedidos de impugnação.A Casa das Liberdades, coalizão de governo dirigida por Berlusconi, divulgou uma nota em que "pede à Corte de Cassação que, com a sua exatidão, que neste caso é ainda mais necessária, use todos os controles necessários para garantir um resultado eleitoral além de qualquer dúvida".Além disso, a nota acusa Prodi de anunciar um resultado "forçado pelas instituições e pela política, sem esperar os números oficiais e as decisões das Cortes de Apelação e de Cassação".A União, coalizão de centro-esquerda, venceu as eleições por cerca de 25 mil votos no Congresso. No Senado, conseguiu maioria de duas cadeiras, segundo dados do Ministério do Interior.Berlusconi, no entanto, contestou a vitória e questionou parte da apuração.Mesmo com o primeiro-ministro se recusando a reconhecer a derrota, o Ministério do Interior informou, na sexta-feira, que os votos sob suspeita eram em menor número que a diferença entre as coalizões. Mesmo que todos fossem para a Casa das Liberdades, a vitória seria da União.Ainda assim, Berlusconi insiste na apuração de irregularidades que possam mudar o resultado final.A convocação dos magistrados foi feita pouco depois de uma reunião do primeiro-ministro com líderes do seu partido. O ministro do Interior, Giuseppe Pisanu, participou do encontro.Após a reunião, a Forza Itália, de Berlusconi, divulgou que está preparando um documento que "poderia ser apresentado à Corte de Cassação", segundo Paolo Guzzanti, integrante do partido. O documento seria uma espécie de denúncia de novas irregularidades.Nesta quarta-feira, a Corte de Cassação deve anunciar a sua decisão sobre as irregularidades denunciadas por Berlusconi.Pressão indevidaVários representantes da Oliveira, grupo que é o núcleo da União, dirigido por Prodi, criticaram a "pressão indevida" aos magistrados por parte da Casa das Liberdades."O que a Casa das Liberdades fez foi uma pressão indevida. Mais uma vez, a centro-direita dá provas de uma grave falta de sentido das instituições, alimentando a cultura da suspeita", queixaram-se vários deputados da Oliveira.Prodi teve nesta terça-feira, em seu escritório, diversos encontros com membros da União, interpretados como conversas para a formação do novo governo.

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