Berlusconi ganha voto de confiança e permanece no cargo

Parlamentares dissidentes decidem apoiar primeiro-ministro, apesar de atritos [br]dentro do governo

AFP e REUTERS, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2010 | 00h00

ROMA

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, obteve ontem o voto de confiança do Parlamento e permanecerá no cargo, como era esperado. O premiê fez um discurso conciliador e pediu o apoio dos dissidentes de sua coalizão de centro-direita, que decidiram apoiá-lo e evitar uma crise imediata.

A permanência de Berlusconi no cargo foi apoiada por ampla margem dos deputados: 342 deram seu voto de confiança ao premiê, enquanto 275 votaram contra. Antes, o premiê disse estar aberto ao diálogo para encontrar soluções para divergências dentro da coalizão.

Ele defendeu um programa de cinco pontos no qual o voto de confiança foi sustentado: investimentos no sul do país, reforma no Judiciário, renúncia fiscal, reforma fiscal e a luta contra o crime organizado.

O futuro do governo está em xeque desde que Berlusconi expulsou o ex-aliado Gianfranco Fini do Partido Povo da Liberdade, fundado por eles, em 2008, como uma força nova para unir a centro-direita do país. A ruptura entre Berlusconi e Fini também afetou o Parlamento e parte dos deputados e senadores deixou de apoiar o premiê.

Fini acusa Berlusconi de administrar o governo como uma de suas companhias privadas e tem sido um crítico da onda de escândalos envolvendo o premiê e seus aliados. Berlusconi, por sua vez, acusa Fini, presidente da Câmara dos Deputados, de traição e afirma que ele é movido apenas pela ambição pessoal.

Apesar das disputas, Fini não deixaria de apoiar o mandato de Berlusconi. O dissidente tem um acordo com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, de apoiar o governo a todo custo para não ameaçar a estabilidade do país.

Fini, porém, anunciou que criará na próxima semana um novo partido, o Futuro e Liberdade para a Itália (FLI), com 34 deputados e 10 senadores, determinantes para que a direita mantenha a maioria absoluta de 316 votos.

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