Berlusconi: Justiça 'arruinou' vida das moças

Ex-ministro depôs em Milão em julgamento do Caso Rubi

AE, Agência Estado

20 de abril de 2012 | 18h47

MILÃO - O ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, deu um depoimento nesta sexta-feira, 20, em um tribunal de Milão, onde é processado por supostamente ter pago para fazer sexo com uma menor de idade, a marroquina Kharima El-Marough, a "Ruby", que tinha 17 anos quando frequentou as festas nas mansões do magnata em Arcore, perto de Milão, e na Sardenha. Berlusconi, de 75 negou, negou as acusações e falou que a promotoria milanesa "arruinou" a vida das moças que frequentavam as festas, as quais ele afirmou ter que sustentar atualmente. Entre as 30 moças, estão marroquinas, ucranianas, francesas, brasileiras, dominicanas e principalmente italianas. A prostituição não é ilegal na Itália, mas pagar para fazer sexo com uma menor de idade é ilegal. Explorar uma prostituta também é um delito.

"Eu mantenho (financeiramente) essa moças porque elas tiveram a vida arruinada por esse processo. Perderam empregos, noivos, talvez não arrumem outros", afirmou Berlusconi ao jornal milanês Corriere della Sera. Berlusconi é o homem mais rico da Itália. Ele é dono da Mediaset, império com quatro canais de televisão, a editora de livros Mondadori, a maior do país, a revista Panorama, bem como a Fininvest, maior financeira da Itália.

Em outro processo, que corre na promotoria de Bari (sul) Berlusconi figura como vítima. Ele teria sido extorquido pelo empresário Giampaolo Tarantini, que recrutava moças em Bari e em Barletta para as festas do ex-premiê. Berlusconi chegou a pagar 500 mil euros a Tarantini. Segundo ele, os pagamentos foram uma maneira de ajudar um amigo e empresário em dificuldades. Tarantini, acusado de lenocínio, foi libertado sob condicional em Nápoles em setembro do ano passado, pouco antes da queda do governo Berlusconi. Tarantini nega ter explorado a prostituição.

"Me sinto responsável porque essas 30 moças cometeram um único crime: aceitarem um convite para jantar na casa do primeiro-ministro", disse Berlusconi. "Fiz aquilo que a minha consciência mandou", disse, quando questionado se, sob o ponto de vista jurídico e da natureza do processo no qual é acusado, não é perigoso dizer que sustenta 30 mulheres, Berlusconi afirmou que muitas das garotas perderam seus empregos e também namorados após o escândalo, que estourou em 2010, quando ele ainda era premiê (o governo Berlusconi caiu no final do ano passado).

Berlusconi também negou parte do conteúdo do depoimento da modelo marroquina Imane Fadil, de 27 anos, que na segunda-feira desta semana disse que o premiê gostava de ver as mulheres dançando vestidas de freira e depois assistir quando elas tiravam os vestidos e ficavam só de lingerie. Fadil também disse que uma convidada brasileira vestia uma máscara do jogador Ronaldinho Gaúcho, que na época (2009 e 2010) jogava como atacante no Milan AC, time de futebol do magnata. "De jeito nenhum, eram vestidos de beduínas líbias, que Muamar Kadafi me deu de presente", disse Berlusconi. Segundo ele, Kadafi enviou, sem ele ter pedido, pelo menos 60 vestidos de beduínas, trajes típicos da Líbia. "Eram competições de dança", afirmou. Berlusconi e Kadafi foram amigos até o começo do ano passado, quando a guerra civil estourou na Líbia. A Itália apoiou os insurgentes líbios. Kadafi foi morto pelos insurgentes em outubro do ano passado.

As informações são da Agência Ansa e do Corriere della Sera

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