Bolzoni Davide/Efe
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Berlusconi não descarta voltar ao governo da Itália

Ex-premiê diz que gestão de Mario Monti não tem dado frutos para resolver problemas do país

Efe

20 de janeiro de 2012 | 17h11

ROMA - O ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi afirmou nesta sexta-feira, 20, que não descarta ser chamado de volta para integrar o governo do país, depois que, segundo ele, o "tratamento" para os problemas esperado do Executivo de Mario Monti não tenha dado "nenhum fruto".

 

Ao término de uma nova audiência do caso Mills no Tribunal de Milão, no qual é julgado por suposta corrupção em ato judicial, Berlusconi afirmou que ele continua "a serviço do país".

 

"Decidimos dar passagem a um governo tecnocrata já que havia um ataque obsessivo ao nosso governo, e em particular, ao seu presidente, a quem se jogava toda a culpa do aumento do prêmio de risco e da crise das bolsas", comentou o ex-primeiro-ministro, em declarações à televisão.

 

Berlusconi afirmou que se por enquanto não existe uma "solução alternativa" à gestão de Monti - que chegou ao poder em meados de novembro após sua renúncia -, a Itália terá que seguir adiante dessa forma, dado que a verdadeira solução aos problemas não está dentro do país.

 

O ex-primeiro-ministro da Itália acredita que o principal é convencer a Alemanha para que haja um Banco Central Europeu (BCE) "capaz de defender o euro" e que seja possível chegar também a criar os chamados eurobonos.

 

"Nos encontramos perante uma situação muito difícil, que não depende da Itália. Eu tinha feito há tempos um diagnóstico claro da situação. É o euro que se encontra em uma situação anômala, porque não tem um Governo detrás e um Banco Central que garanta a moeda como faz o Federal Reserve americano", disse Berlusconi. "É a Europa que está em crise. A China em quatro anos consegue pôr no terreno uma força de trabalho equivalente às quatro grandes potências econômicas europeias", acrescentou.

 

Sobre o caso Mills, que julga um suposto pagamento por parte de Berlusconi a um advogado em troca que ele mentisse a seu favor em dois julgamentos, o ex-primeiro-ministro disse que qualquer eventual sentença "não terá efeito".

 

O suposto delito de Berlusconi no caso Mills, que realizará sua próxima audiência dia 25 de janeiro, pode prescrever em 14 de fevereiro se a sentença não sair antes, por isso que compactaram as últimas audiências e espera-se que no dia 11 de fevereiro os juízes possam se pronunciar. 

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