Berlusconi pede novas eleições na Itália

Ex-premiê, no entanto, começa a enfrentar resistências dentro de seu próprio partido

O Estado de S.Paulo,

30 Setembro 2013 | 02h04

ROMA - O ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi pediu ontem a realização de novas eleições no país, após exigir que cinco ministros do seu partido, Povo da Liberdade (PDL), renunciassem no sábado, colocando em xeque a coalizão do atual premiê, Enrico Letta. Apesar de ter sugerido uma nova votação "o mais breve possível", Berlusconi começou a enfrentar uma inesperada oposição entre seu próprios aliados.

O ministro de Reformas, Gaetano Quagliariello, disse que pretende avaliar o discurso de Letta no Parlamento, esta semana, antes de tomar a decisão sobre apoiar o voto de confiança ao governo formado há cinco meses. Dois outros ministros de Berlusconi também expressaram contrariedade por terem sido obrigados a pedir demissão.

Beatrice Lorenzin, ministra da Saúde, lamentou a decisão e disse que o partido tende a caminhar na direção da "direita radical". Angelino Alfano, ministro do Interior e um dos líderes do PDL mais próximos de Berlusconi, afirmou temer que o partido seja dominado por "posições extremistas".

Ontem, para evitar um racha, o ex-premiê enviou uma mensagem aos integrantes do PDL e garantiu que "está pronto para a batalha novamente". "A única saída é dar início, com convicção, ao processo eleitoral o mais rápido possível", disse Berlusconi. "Todas as pesquisas de opinião mostram que venceremos."

Berlusconi explicou que a decisão foi tomada em razão da incapacidade de Letta de empreender as reformas necessárias para tirar a Itália da crise e em oposição a um aumento de impostos, que começa a vigorar esta semana.

Seus inimigos, incluindo o atual premiê, o acusam de retirar-se da coalizão em protesto por ter sido condenado a um ano de prisão por fraude tributária e em retaliação ao movimento para expulsá-lo do Senado.

Revolta. No sábado, após ser informado da decisão de Berlusconi, Letta afirmou que buscará o voto de confiança no Parlamento, que poderia ocorrer ainda esta semana. O presidente Giorgio Napolitano, que seria incumbido de convocar novas eleições, também se irritou com a decisão de Berlusconi.

Napolitano afirmou que já foi informado oficialmente das renúncias e decidirá os próximos passos em conjunto com o premiê, mas que dará todo o seu apoio para que Letta forme uma nova coalizão sem que haja uma nova votação.

Enrico Giovannini, ministro italiano do Trabalho, disse ontem que o país deverá enfrentar uma pressão gigantesca de autoridades europeias se a atual crise política persistir e se espalhar pela zona do euro.

De acordo com Giovannini, no entanto, a Itália não corre risco de ser colocada sob algum tipo de fiscalização especial pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Central Europeu ou pela Comissão Europeia. / AP e REUTERS

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