Berlusconi 'precisa da ajuda de Deus'

Namorada de 'Il Cavaliere' faz um apelo ao papa Francisco para que ele a receba no Vaticano

ROMA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2013 | 02h12

Um dia depois de o ex-premiê da Itália Silvio Berlusconi ser cassado do Senado - o que pode significar o fim de sua carreira política -, a atual namorada dele, Francesca Pascale, pediu ajuda de Deus para salvá-lo. Numa entrevista publicada ontem pelo jornal Corriere della Sera, ela solicita uma audiência com o papa Francisco, para explicar ao pontífice o sofrimento do companheiro, de 77 anos.

"Apelo ao papa Francisco para que me receba e escute a história de Silvio", afirmou a mulher de 28 anos.

Francesca afirmou que, se dependesse de sua vontade, teria feito o apelo ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, pedindo o perdão do chefe de Estado para "Il Cavaliere", mas percebeu "que encontraria fechadas" as portas do Palácio de Quirinale, sede do Executivo italiano.

Francesca aguardava os resultados da deliberação sobre a cassação de Berlusconi na casa do namorado em Roma. Ela disse que se emocionou ao testemunhar o apoio dos partidários do Forza Italia - legenda original do ex-premiê, refundada pelo magnata quando ele rompeu, duas semanas atrás, com o partido Povo da Liberdade (PDL), para deixar a coalizão do governo de Enrico Letta.

Aliados de Berlusconi chegavam à residência para manifestar respaldo a Il Cavaliere enquanto, a poucos metros dali, a Câmara Alta cancelava seu mandato de senador com base na aplicação da "Lei Severino", que proíbe a eleição de uma pessoa sentenciada a mais de 2 anos de prisão ou a manutenção de um político em um cargo público nesse mesmo caso.

O ex-premiê foi considerado culpado de fraude, em outubro, e sentenciado a 4 anos de cadeia, que foram convertidos em pena alternativa.

"Maldito o dia em que essa lei foi aprovada", disse Francesca, afirmando que o PDL - que se dissolveu após o impasse com Berlusconi - errou ao votá-la. Sobre Angelino Alfano - que foi protegido de Il Cavaliere até romper com ele para fundar, cinco dias após a cisão, o partido Nova Centro-Direita -, a namorada do magnata referiu-se como um "traidor". Segundo ela, o ex-premiê o "inventou" como político e ele teria se convertido em um líder natural caso não tivesse abandonado Berlusconi.

"Silvio, por sorte, tem um coração imenso. Consegue sempre perdoar seus filhos, até nas situações mais críticas", disse a namorada de Berlusconi. Francesca declarou que, apesar de quarta-feira ter sido um dia "triste", seu namorado continuará lutando para concretizar seu sonho de "trazer liberdade para a Itália". "E ele conseguirá", afirmou.

'Golpe'. Além de ter sido expulso do Senado italiano, Berlusconi ficará inelegível para o Parlamento. "O voto do Senado é um golpe de Estado. Como podemos chamá-lo de outra maneira?", declarou Francesca, repetindo a mesma qualificação usada pelo namorado para a manobra parlamentar que o destituiu do cargo. / EFE

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