Berlusconi promete mudar a Itália

Em seu primeiro pronunciamento depois da ampla vitória nas eleições gerais de domingo na Itália, o magnata e líder direitista Silvio Berlusconi comprometeu-se a levar adiante um "ambicioso programa" para "mudar a Itália".O líder da coalizão Casa das Liberdades, que responde a vários processos na Justiça, compareceu diante das câmeras de suas redes de televisão agitando em uma das mãos o chamado "contrato com os italianos", que firmou no fim de sua campanha."Todos os candidatos ao governo fizeram promessas que não cumpriram, mas eu não vou agir dessa forma", prometeu ele, classificando o resultado eleitoral de "plebiscito".Berlusconi disse que vai "desemperrar" a máquina do Estado e procurou tranqüilizar os demais sócios da Itália na União Européia (UE), preocupados com seus vínculos com Gianfranco Fini chefe da neofascista Aliança Nacional, e com o xenófobo Humberto Bossi, líder da separatista Liga do Norte. "Vamos trabalhar estreitar nossas relações com nossos amigos da União Européia e dos Estados Unidos."Francesco Rutelli, o candidato da coligação de centro-esquerda Olivo, reconheceu a derrota, mas contestou a afirmação de Berlusconi que definiu sua vitória como verdadeiro plebiscito. "Ele (Berlusconi) não obteve uma maioria parlamentar capaz de justificar essa afirmação", ressaltou Rutelli.Em seu pronunciamento pela tevê, o líder direitista, também chamado de "Cavalieri", reiterou que reduzirá os impostos, criará 1,5 milhão de postos de trabalho, fixará teto de US$ 480 para as aposentadorias e pensões, porá em prática um programa de segurança (que inclui a criação de polícias de bairros) para reduzir os crescentes índices de violência e fará as grandes obras de infra-estrutura do país."Meu contrato com o povo é um empenho solene que assumi", insistiu ele. "Os eleitores estão cansados de tantas eleições, da campanha de ódio e das divisões que sofremos. Trabalharei mais e falarei menos."Com maioria na Câmara e no Senado, Berlusconi regressa ao poder do qual foi derrubado em 1994 depois de sete meses, quando Bossi, seu aliado da Liga do Norte, retirou-se da coalizão e ele perdeu sustentação parlamentar.Bossi, apontado como um dos interlocutores na Itália do político austríaco Joerg Haider, uniu-se novamente ao magnata. Mas o número 2 da Liga do Norte, Roberto Maroni, advertiu Berlusconi, dizendo esperar que os "aspectos fundamentais do pacto sejam mantidos". Bossi exige um freio na imigração e também a expulsão dos chamados "ilegais".Outro grande aliado de Berlusconi é Francesco Fini, da neofascista Aliança Nacional, uma espécie de braço-direito. Fini deverá ser vice-primeiro-ministro no futuro gabinete.Com a composição das duas casas do Parlamento (Câmara e Senado) definida e empossada, o presidente Carlo Azeglio Ciampi deverá pedir a Berlusconi, chefe da Força Itália, o maior da coalizão Casa das Liberdades, a formação do 59º governo desde o fim da 2ª Guerra Mundial.

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