Berlusconi quer ser ministro da Economia

O ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, líder do Partido da Liberdade (PDL), anunciou ontem em Roma que, em caso de vitória nas eleições parlamentares de 24 e 25 fevereiro, ele não será chefe de governo, mas sim ministro da Economia. A opção foi definida em um acordo com o partido de extrema direita Liga Norte.

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2013 | 02h10

Os dois partidos, que governaram em coalizão a Itália entre 2008 e 2011, farão uma campanha conjunta na disputa pela sucessão do premiê Mario Monti. O anúncio do acordo político foi feito por Berlusconi em entrevista à rádio RTL. "Habemus papam", afirmou, brincando com a frase usada pelo Vaticano para anunciar a escolha de um novo papa. "Um acordo foi assinado nesta noite (ontem) entre nós e o Carroccio (a Liga Norte)."

Em troca do entendimento, o PDL apoiará a candidatura do presidente da Liga Norte, Roberto Maroni, ex-ministro do Interior de Berlusconi, à presidência da região da Lombardia.

Segundo Maroni, o acordo também prevê que Berlusconi não será o futuro primeiro-ministro caso a coalizão seja vitoriosa em fevereiro. "Nós decidiremos em caso de vitória", explicou, reconhecendo que Angelino Alfano, secretário-geral do PDL, seria um dos favoritos. "O acordo diz explicitamente que o candidato ao posto de presidente do Conselho não será Berlusconi. Ele aceitou e não concorrerá ao posto."

Por enquanto, o líder das pesquisas na Itália é Pier Luigi Bersani, do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda. De acordo com o instituto Ipso, o ex-comunista tem entre 38% e 39% dos votos - mas está em queda.

Em seguida, aparece a coalizão PDL-Liga Norte, com 28% do eleitorado. Monti, atual premiê, é candidato da aliança de centro Sociedade Civil com Monti pela Itália, que tem entre 14% e 15% dos votos - com 50% de crescimento em um mês. Se esse cenário for mantido, uma coalizão de centro-esquerda, com Bersani e Monti no governo, é o cenário mais provável, segundo analistas políticos.

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