Berlusconi recebe voto de confiança do Parlamento italiano

Parlamentares dissidentes decidem apoiar premiê apesar de atritos dentro do governo

estadão.com.br

29 de setembro de 2010 | 14h36

 

ROMA - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, obteve o voto de confiança do Parlamento nesta quarta-feira, 29, e permanecerá no cargo. Ele havia solicitado a votação por conta de atritos entre ele e ex-membros do governo.

 

A permanência de Berlusconi no cargo foi apoiada por ampla margem dos deputados: 342 deram seu voto de confiança ao premiê e 275 votaram contra a manutenção de sua gestão. Apenas três parlamentares de abstiveram da votação.

 

Antes da votação, o premiê havia pedido que os parlamentares italianos considerassem as consequências de não apoiá-lo. Caso ele não conseguisse o apoio da maioria do Parlamento, ele deixaria o cargo novas eleições seriam convocadas. Berlusconi alertou que os italianos não podem se arriscar "na instabilidade política em um momento na qual a crise ainda não passou".

 

Ele havia pedido que seus ex-colegas de partido mantivessem o apoio a seu governo de centro-direita. "É indispensável para o futuro do país que os próximos três anos sejam usados para completar as reformas sociais e econômicas de que a Itália precisa", disse Berlusconi aos legisladores, antes do voto de confiança.

 

Italo Bocchino, porta-voz do Futuro e Liberdade para Itália (FLI), partido dissidente liderado por Gianfranco Fini, confirmou pouco antes da votação que seu grupo político apoiaria o premiê. "Não faltaremos com nosso dever e confirmamos nossa vontade que a legislatura siga até o fim", disse.

 

O governo de Berlusconi recentemente foi marcado por diversos atritos entre ele e Fini, ex-aliado e cofundador do partido do premiê, o Povo da Liberdade (PDL). A ruptura entre Berlusconi e Fini também afetou o Parlamento, e parte dos deputados e senadores deixaram de apoiar o premiê. Esses dissidentes, porém, deram seu voto de confiança no atual líder italiano, como haviam indicado anteriormente.

 

As eleições gerais na Itália estão marcadas para o fim de 2011. O governo ainda poderia cair até lá por causa de divisões irreconciliáveis dentro da coalizão. Quando falou sobre o período de instabilidade política, o premiê se referiu a pesquisas segundo as quais novas eleições podem resultar em uma vitória para a centro-direita na Câmara dos Deputados, mas não no Senado.

 

Berlusconi disse estar aberto ao diálogo para encontrar soluções para visões divergentes dentro da coalizão. Porém, ele avaliou que o debate "ultrapassou os limites" em alguns momentos. Berlusconi tratou de um programa de cinco pontos no qual o voto de confiança foi baseado, citando investimentos no sul do país, reforma no Judiciário, renúncia fiscal, reforma fiscal e a luta contra o crime organizado.

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