Berlusconi recebe voto de confiança no Parlamento e segue como premiê

Premiê sobrevive a teste parlamentar mesmo com denúncias de corrupção e escândalos

Associated Press

14 de dezembro de 2010 | 08h16

Atualizado às 10h48

 

Premiê recebe cumprimentos de parlamentares após voto de confiança no Senado.

 

ROMA - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, recebeu o voto de confiança do Senado e da Câmara Baixa nesta terça-feira, 14, confirmando sua permanência no cargo.

 

Entenda:

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Berlusconi recebeu 162 votos a favor e 135 contra no Senado. Na Câmara, a votação foi mais apertada - foram 314 votos a favor e 311 contra, de um total de 630 deputados. Antes da votação, o premiê havia se mostrado confiante de que venceria em ambas as casas legislativas.

 

Caso fosse derrotado em qualquer uma das casas, Berlusconi teria de renunciar e convocar novas eleições. O premiê perdeu força política após uma série de denúncias de corrupção e escândalos sexuais nos últimos dois anos.

 

Câmara

 

O resultado da votação no Senado já era esperado, mas as tensões estavam voltadas para a Câmara, onde houve recentemente uma ruptura entre a administração e o ex-aliado Gianfranco Fini, o que retirou a maioria folgada do governo de centro-direita.

 

A votação na casa teve de ser interrompida devido a tumultos que tomaram conta do local após uma deputada aliada do bloco de Fini anunciar o voto de apoio ao premiê.

 

Berlusconi rompeu em julho com Fini, seu aliado de longa data e presidente da Câmara, que fundou com ele o partido Povo da Liberdade (PDL). Desde o começo do ano, Fini dava mostras de dissidência em relação às políticas do premiê. Suavizou o projeto de lei da mordaça, resguardando os direitos de jornalistas e membros do Ministério Público, e se opôs a mudança nas regras de nomeação de magistrados, que favoreceriam Berlusconi no julgamento de denúncias de corrupção.

 

Após a ruptura, Fini fundou uma nova legenda, o Partido Futuro e Liberdade para a Itália, e levou com ele 35 deputados. Quatro ministros do gabinete de Berlusconi leais ao presidente da Câmara pediram demissão.

 

Além da tensão política, Berlusconi tem se envolvido em uma série de escândalos sexuais. O primeiro surgiu no ano passado, quando Giampaolo Tarantini, um empresário de Bari preso por tráfico de drogas, disse ter pago 30 garotas de programa para participar de festas em uma mansão do premiê na Sardenha. Entre as convidadas estava uma prostituta de luxo, Patrizia D'Addario, que posteriormente afirmou ter passado uma noite com o premiê em Roma.

 

Frente às acusações, Berlusconi disse "não ser santo", mas negou ter pago por sexo. O escândalo culminou no divórcio do premiê. Sua ex-mulher, a atriz Veronica Lario, pediu uma pensão anual de R$ 130 milhões.

 

Em maio deste ano, o primeiro-ministro se viu envolvido em outro escândalo. Uma adolescente marroquina de 17 anos, apelidada de Ruby, disse ter recebido R$ 15 mil de Berlusconi, depois de ir a duas festas do premiê em uma mansão em Arcore, nos arredores de Milão.

 

O chefe de governo italiano respondeu as acusações com uma declaração polêmica. "É melhor gostar de garotas jovens do que ser gay", disse. Em outro episódio, o premiê telefonou ao chefe de polícia da cidade para tenta livrar a garota de uma acusação por roubo.

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