Remo Casilli/Reuters
Remo Casilli/Reuters

Berlusconi resiste e protestos ferem 90

Manifestações marcam vitória do premiê em moção de censura na Câmara pela diferença de 3 votos; oposição denuncia suborno

, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2010 | 00h00

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, sobreviveu ontem, por apenas 3 votos, a uma moção de censura na Câmara, evitando assim o colapso do seu governo. Votaram em favor do premiê 314 deputados; 311 votaram contra e 2 se abstiveram. A votação no Senado foi mais tranquila para Berlusconi: 162 a 135.

Em meio à votação, dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas de Roma em protesto contra o premiê. Pelo menos 90 pessoas - 50 policiais e 40 civis - ficaram feridas nos confrontos com as forças de segurança. Os manifestantes atacaram a sede do Parlamento com ovos, pedras, tinta e fogos de artifício. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e avançou sobre a multidão com violência.

Na Via del Corso, uma das principais avenidas do centro histórico de Roma, próximo ao gabinete de Berlusconi, os lojistas fecharam as portas. O local lembrou um campo de batalha, entre a fumaça e os rostos ensanguentados. Em outro local da capital, vários veículos particulares foram incendiados. Os manifestantes - estudantes, na maioria - ainda quebraram vitrines de bancos e caixas eletrônicos eatacaram carros de polícia com cadeiras e mesas. O governo convocou 1,5 mil policiais.

Em Palermo, no sul, cerca de 500 estudantes bloquearam a pista do aeroporto. Uma estação ferroviária foi ocupada Turim, no norte, que ainda registrou uma manifestação em Veneza.

O homem que trouxe a política personalista a um país antes conhecido pela íntima relação entre os funcionários do governo e os principais representantes do empresariado provou mais uma vez que seu destino pessoal está inexoravelmente associado ao de seu país.

Apesar da vitória de ontem os dois destinos estão mergulhados na incerteza política. Apesar de o mandato de Berlusconi durar até 2013, sua escassa maioria não mais lhe confere margem suficiente para governar, e analistas preveem que ele pode renunciar nas próximas semanas e convocar eleições antecipadas, independentemente do resultado favorável de ontem. Alguns dos principais problemas de Berlusconi estão em sua coalizão.

Gianfranco Fini - ex-aliado que rompeu com o premiê em julho e votou contra ele ontem - reconheceu a derrota de seu grupo. Mas o ex-neofascista convertido à direita moderada acrescentou: "Nas próximas semanas perceberemos mais claramente que Berlusconi não pode se declarar vencedor em termos políticos."

Membros da oposição acusaram Berlusconi de subornar deputados do novo partido de Fini, Futuro e Liberdade, para evitar a queda. / NYT e AP

PEDRAS NO CAMINHO

Marroquina

Em seu último escândalo, Berlusconi negou ter feito sexo com a marroquina Karima el-Mahroug,

então com 17 anos. E declarou: "É melhor gostar de garotas bonitas do que ser gay"

Lixo napolitano

Depois de se comprometer a resolver definitivamente o problema do lixo em Nápoles, em 2008, toneladas de dejetos continuaram a se amontoar

Baixo crescimento

A economia italiana cresceu apenas 0,3% no último trimestre

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