Berlusconi rompe com principal aliado político na Itália

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, disse que seu governo de centro-direita vai sobreviver à saída de um antigo aliado político, embora ele tenha se reunido com um importante parceiro de seu governo para se certificar disso.

AE-AP, Agência Estado

30 de julho de 2010 | 14h33

Berlusconi declarou o rompimento com Gianfranco Fini, do Partido do Povo da Liberdade (PDL), legenda da qual o premiê é cofundador. Mas Fini declarou que não vai deixar seu poderoso cargo de presidente da Câmara, para o qual foi eleito pelos legisladores e não pelo primeiro-ministro.

Fini também é cofundador do PDL, e se seus 33 deputados e 14 senadores saírem da base da coalizão de governo de Berlusconi, o premiê teria mais dificuldades para aprovar suas proposições. Analistas acreditam, porém, que Fini e seus seguidores desejam aumentar a pressão política sobre o premiê, ao invés de deixar a sua coalizão.

Hoje, os parlamentares do Partido Democrático (PD), da oposição de centro-esquerda, pediram que Berlusconi compareça ao Parlamento para explicar o impacto da decisão de expulsar Fini. "A crise não é do PDL, é uma crise do governo Berlusconi", disse Pier Luigi Bersani, secretário do PD.

Berlusconi se reuniu na manhã de hoje com o líder da Liga do Norte, Umberto Bossi, cujo apoio é essencial para a estabilidade do governo. A Liga do Norte dá ao movimento de Berlusconi a margem que ele precisa para governar confortavelmente. Perguntado se o rompimento com Fini resultaria em eleições antecipadas, Bossi levantou seu dedo médio para os repórteres.

Ontem, mesmo com a disputa política entre Fini e Berlusconi, a Câmara aprovou com folga um pacote de austeridade fiscal de 25 bilhões de euros.

Histórico

Berlusconi e Fini, cuja aliança data do período em que o premiê ingressou na política, no começo da década de 1990, têm discutido e brigado durante meses sobre quase todos os assuntos políticos na Itália, da imigração à proposta de restrição às gravações de conversas com autorização judicial.

Observadores analisam a cisão entre os dois mais como uma disputa pelo poder do que como uma briga provocada por diferenças ideológicas. O PDL, comandado por Berlusconi, emitiu um documento na noite de ontem acusando Fini de criar "um partido dentro do partido" e ter fomentado uma "oposição intolerável" dentro do grupo político.

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