Berlusconi se engana e vai à festa do rival

Ex-premiê conversou com jovens e até pediuvotos para candidato da esquerda em Segrate

O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2015 | 02h05

Em plena campanha pelos candidatos de seu partido, o Forza Italia (FI), que disputaram as eleições municipais e regionais de ontem, Silvio Berlusconi acabou errando de festa e participou sem querer de um comício de outra legenda.

Em visita a Segrate, cidade da região da Lombardia, Província de Milão, o ex-primeiro-ministro italiano chegou na noite de sexta-feira, acompanhado de seis seguranças, a um evento para jovens organizado pela coalizão de centro-esquerda que concorre à prefeitura local.

O caso foi revelado pelo próprio candidato da aliança esquerdista, Paolo Micheli. "Aconteceu às 23 horas. Vimos chegar dois carros, dos quais desceram Berlusconi e sua escolta. Ele começou a conversar com alguns jovens, perguntou a eles qual era o nome do candidato", disse Micheli. Segundo um dos participantes, Berlusconi depois de circular pela festa e de saber o nome do candidato, ele teria dito: "Jovens, conto com vocês, votem todos em Paolo!"

Berlusconi, senador cassado, só percebeu que estava fazendo campanha para um adversário do seu partido cinco minutos depois e deixou a festa "bastante constrangido", de acordo com Micheli, que disputa a prefeitura pelo Partido Democrático, o mesmo do atual chefe de governo, Matteo Renzi.

Gafes. A situação foi ainda mais inusitada porque o candidato conservador na cidade é, na verdade, uma mulher: Tecla Fraschini, que participava de outro evento no mesmo horário. Quando soube da gafe de Berlusconi, Tela não perdeu o humor. "Ele queria fazer uma surpresa para a gente, mas acabou fazendo uma surpresa para nosso adversário."

Esse foi apenas mais um dos momentos curiosos protagonizados pelo ex-premier na campanha eleitoral de 2015. Nas últimas semanas, ele já tropeçara no palco durante um comício e fizera "chifrinho" em uma criança durante um selfie.

Eleições. Os italianos foram às urnas ontem em eleições regionais e municipais que representarão um teste decisivo para o primeiro-ministro Renzi e, principalmente, para Berlusconi, cujo partido está em decadência.

Cerca de 22 milhões de eleitores elegerão novos governos em 7 das 20 regiões da Itália e mais de mil municípios. O premiê, de 40 anos, precisa de um resultado convincente para manter o ritmo das reformas trabalhistas, constitucionais e no setor de educação, que encontraram resistência de sindicatos, da oposição e da ala mais à esquerda de seu próprio partido.

Se Renzi obtiver uma vitória convincente contra uma oposição dividida, ele manterá sua imagem de infalibilidade apenas 15 meses depois de chegar ao poder e em meio a uma luta interna em seu partido.

De acordo com pesquisas de opinião, o partido de Renzi é favorito para vencer em quatro regiões: Toscana, Marcas, Puglia e Úmbria, sendo que nas três primeiras a vitória é dada como certa. No Vêneto, o candidato da legenda de extrema direita, a Liga Norte, Luca Zaia, deve ser eleito.

Para alguns analistas, o resultado também pode determinar o futuro político de Berlusconi, especialmente após essas gafes durante a campanha. "Se ele obtiver resultados realmente ruins, isto poderá significar o fim de sua carreira política", disse Giovanni Orsina, da Universidade Luiss Guido Carli, de Roma. / REUTERS e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.