Berlusconi se reúne com judeus depois de elogiar Mussolini

Dias depois de declarar que o ditador fascista Benito Mussolini "não matou ninguém", o primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi teve um encontro nesta quarta-feira com líderes da conunidade judaica da Itália. A reunião, na principal sinagoga de Roma, foi um pedido das lideranças judaicas, que se declararam consternadas com a declaração anterior de Berlusconi. O premier italiano disse na semana passada ao jornal La Voce di Rimini que "Mussolini não matou ninguém. Mussolini costumava mandar pessoas para férias no cárcere". Ainda na última semana, ele tentou se emendar, dizendo que "não quis fazer uma análise crítica do fascismo ou de seu líder. Simplesmente não aceito sua comparação a outro ditador como Saddam Hussein, que causou milhões de mortes". Mussolini governou a Itália com mão de ferro entre 1922 e 1943, quando foi derrubado, já nos estertores da 2ª Guerra Mundial. Ele começou a perseguir judeus italianos com a edição de leis racistas em 1938. Quase 7 mil judeus foram deportados, dos quais 5.910, pelos números oficiais, foram mortos. Mas apesar de suas declarações praticamente apologéticas do líder fascista, Berlusconi tem apoio da comunidade judaica italiana. Os cerca de 30 mil judeus da Itália tendem a aprovar o mandato de Berlusconi por suas posições de apoio ao governo de Ariel Sharon em Israel.

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