Berlusconi será investigado por corrupção de menor

Após a Justiça derrubar parte do escudo jurídico que protegia premiê, ele agora terá de se justificar por escândalo sexual

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2011 | 00h00

Os escândalos sexuais na cúpula do poder na Itália agora são caso de polícia. Um dia depois de perder parte da imunidade jurídica que o protegia, o premiê italiano, Silvio Berlusconi, voltou a se tornar alvo da Justiça. Ele será investigado por abuso de poder e corrupção de uma menor no chamado caso Rubygate, um escândalo que envolve uma jovem marroquina de 17 anos.

O caso foi revelado pela imprensa italiana em maio, quando Ruby Rubacuori foi detida pela polícia de Milão, suspeita de roubo. Valendo-se de sua condição de chefe de governo, Berlusconi teria telefonado pessoalmente para interferir pela libertação da jovem, afirmando que ela seria "próxima" ao presidente do Egito, Hosni Mubarak. Para obter a libertação de Ruby, cujo nome real é Karima El Mahroug, o premiê teria enviado à delegacia Nicole Minetti, dançarina alçada à carreira política por causa do suposto caso mantido com o chefe de governo.

Revelado pela imprensa, o caso foi classificado como abuso de poder por juristas italianos. O quadro ficou ainda mais grave quando se soube a natureza da relação entre Berlusconi, 74 anos, e Ruby, de 17: ele teria usufruído dos "serviços sexuais" prestados pela jovem, o que caracterizaria "corrupção de menor". A jovem, hoje com 18 anos, nega o caso, mas confirma ter participado de três jantares na residência de Arcore, uma das mansões do premiê.

Ouvida pelo jornal Repubblica há uma semana, Ruby disse não ter mantido relações sexuais com o premiê, mas confirmou ter sido beneficiada por "um favor" da parte dele quando esteve presa. "Berlusconi não é muito feliz e sofre de solidão", disse.

O escândalo até aqui não havia seguido seu curso natural na Justiça italiana porque Berlusconi era protegido desde março por um conjunto de leis que propusera ao Parlamento. As medidas criavam o conceito de "impedimento legítimo", segundo o qual o premiê não podia ser processado nem ouvido pela Justiça. Mas na quinta-feira juízes da Corte Constitucional italiana derrubaram parte do "escudo jurídico" que o protegia. E, desde então, Berlusconi pode ser convocado a audiências judiciais.

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