Berlusconi sugere a desempregados da Fiat o mercado informal

O chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, sugeriu aos empregados da Fiat que, a partir desta segunda-feira, serão afastados da companhia, que procurem uma ocupação, inclusive "não declarada", para complementar o auxílio-desemprego. "Os mais voluntariosos encontrarão, com certeza, um segundo trabalho, talvez não oficial, que assegurará rendimentos suplementares à família", declarou numa entrevista dada neste sábado à televisão privada Rete4, uma das três cadeias do seu grupo Mediaset. Oito mil e cem assalariados da montadora do grupo Fiat estão sendo demitidos por causa das medidas previstas no plano de reestruturação avalizado pelo governo italiano. As dispensas começam nesta segunda-feira e afetam 5.600 trabalhadores, que passam a receber 80% do seu salário até o limite de 776,12 euros por mês e por um período máximo de dois meses, tempo que deveria permitir a recuperação da empresa. O resto dos trabalhadores afetados pela redução de efetivos, cerca de 2.500, entram na chamada "mobilidade", vista com uma primeira etapa para demissão ou aposentadoria, recebendo neste caso 100% do salário no primeiro ano e 80% a partir do segundo. As declarações de Silvio Berlusconi suscitaram um coro de protestos. "É inacreditável. Que dizer de um chefe de governo que convida a violar a lei e a entrar no trabalho clandestino", declarou o ex-primeiro-ministro Massimo D´Alema, presidente dos Democratas de Esquerda (DS, oposição). Os dirigentes sindicais reagiram, duramente, às palavras do chefe do governo. "O presidente do Conselho deveria saber que o trabalho não declarado é um trabalho ilegal", criticou Savino Pezzota, o secretário-geral da central católica CISL. "Silvio Berlusconi fez declarações irresponsáveis, que não são dignas de um chefe de governo", atacou Raffaele Bonani, um dos responsáveis federais da CISL. "É vergonhoso que o chefe do governo explore o desespero dos trabalhadores da Fiat, sugerindo que procurem empregos precários", acusou Carla Cantone, membro da direcção da CGIL, a maior central sindical próxima da esquerda.

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