Berlusconi vê quadro apocalíptico caso perca eleições

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, pisou fundo no acelerador da campanha eleitoral nesta quarta-feira ao desenhar um quadro apocalíptico para a Itália caso a oposição de centro-esquerda vença as eleições dos dias 9 e 10 de abril. No cenário descrito durante uma entrevista coletiva no Palácio Chigi, sede do Governo, Berlusconi não hesitou em desmentir o seu próprio Instituto Nacional de Estatística e em atribuir à oposição os incidentes violentos de algumas manifestações. Também alertou para a implosão da economia se a oposição vencer e defendeu a energia nuclear. "Estamos em situação de emergência democrática"; "os bancos já notam uma fuga de capitais para o estrangeiro"; "a oposição usa contra nós a mentira, a falsidade e a negação da realidade"; "a esquerda está posicionando seus esquadrões" e "no futuro se usará a energia nuclear" foram algumas das mensagens usadas por Berlusconi para traçar o quadro catastrofista. Assim, o primeiro-ministro da Itália, a quem as pesquisas eleitorais dão como perdedor, negou que em 2005 tenha havido uma freada brusca na economia, como informou o Instituto Nacional de Estatística. Segundo o chefe do Governo italiano, que está há cinco anos no poder, o crescimento zero é "uma história em quadrinhos, uma falsidade". "Nossas empresas tiveram um faturamento recorde e, portanto, nada prova que a economia italiana não se desenvolve", disse o político mais rico do país, que há meses ouve queixas de que a Itália está em crise. Após desmentir os dados do Instituto Nacional de Estatística, Berlusconi não teve problemas em assegurar que a estratégia da esquerda "é negar a realidade". O primeiro-ministro reforçou que a mentira era "congênita com a forma de atuar da oposição", qualificando-a de "indecorosa e indigna de um país civilizado". Depois acusou a centro-esquerda de usar a violência contra seu Governo em forma de esquadrões, mesmo sem apresentar prova alguma de sua afirmação. O primeiro-ministro e seus aliados atribuem à centro-esquerda a organização, nas duas últimas semanas, de manifestações que acabaram em incidentes violentos. No entanto, a oposição, liderada por Romano Prodi, conhecido como "o professor", negou estar envolvida e condenou os incidentes Violentos. Berlusconi aproveitou a entrevista coletiva para revelar que a Itália participa de projetos e estudos sobre o uso de energia nuclear na Europa e Estados Unidos. Os italianos rejeitaram esse tipo de matriz energética num plebiscito. Segundo ele, "no futuro, quando houver menos combustíveis fósseis, que não são infinitos, não se poderá produzir energia se não for nuclear", já que, segundo seus dados, as fontes renováveis só poderão fornecer 4 ou 5% da energia necessária.

Agencia Estado,

22 Março 2006 | 19h45

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