Berlusconi viola lei e vai à televisão

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, encerrou sua campanha eleitoral exatamente como começou, isto é, infringindo regras, leis e regulamentos estabelecidos para equilibrar a participação dos candidatos nas entrevistas e debates de televisão. Depois de ter reafirmado, na Praça do Plebiscito, em Nápoles, o polêmico termo ?coglioni? uma forma vulgar utilizada por ele para definir seus adversários, que significa literalmente ?testículos? e pode ser traduzida como idiota ou frouxo -, Silvio Berlusconi compareceu na noite de sexta-feira aos estúdios de sua própria emissora de televisão, a Rete 4. Lá ele concedeu uma longa entrevista, de quase duas horas de duração, ao chefe de redação do diário Il Giornale, cujo diretor responsável é seu próprio irmão. O jornal também faz parte do grupo de empresas de Berlusconi. Embora a entrevista tenha sido encerrada antes da meia noite de sexta-feira (horário determinado pela lei para o término de todo tipo de campanha eleitoral),as regras fixadas prevêem que os candidatos devem ter o mesmo tempo de palavra - algo que o adversário de centro-esquerda de Berlusconi, Romano Prodi, não teve. O desrespeito a essa regulamentação em ocasiões anteriores nessa mesma campanha, foi responsável por duas multas aplicadas ao candidato da Força Itália, de 150 mil e 250 mil, mas isso não parece ser um motivo de preocupação do homem tido como o mais rico do país. Nova Punição Por ele ter comparecido aos estúdios de sua própria emissora, sem que houvesse a possibilidade de que Romano Prodi tivesse o mesmo espaço, a comissão eleitoral deverá aplicar-lhe uma nova multa. Entretanto, Silvio Berlusconi promete recorrer contra essa e as outras multas já decididas na Justiça eleitoral. No inicio da semana passada o primeiro-ministro e candidato a um novo mandato de cinco anos já havia provocado uma polêmica, quando Romano Prodi não aceitou participar de uma entrevista nessa mesma emissora. Mesmo depois da recusa de Prodi, Berlusconi manteve os planos de comparecer sozinho, mas acabou sendo impedido pela comissão eleitoral, que exigiu respeito ao tempo de palavra dos dois lideres das coalizões. O primeiro-ministro então tentou se apresentar como vítima, declarando que ?Prodi o havia impedido de falar?, e afirmou que isso indicaria o comportamento futuro dos grupos de esquerda caso cheguem ao poder. Cerca de 50 milhões de eleitores que devem votar neste sábado e domingo nas eleições legislativas italianas terão a incumbência de confirmar ou mudar a maioria parlamentar na Câmara dos Deputados e no Senado, provocando, no caso de uma vitória da coligação de centro-esquerda liderada por Romano Prodi, a queda do governo de centro-direita de Silvio Berlusconi, no poder nesses cinco últimos anos. Como as pesquisas de intenção de voto foram suspensas duas semanas antes da votação, qualquer previsão se torna ainda mais difícil, mas Berlusconi admitiu, pela primeira vez na véspera do encerramento da campanha, a hipótese de uma eventual derrota.

Agencia Estado,

08 Abril 2006 | 16h00

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