Bersani mostra disposição de formar governo

O líder da coalizão de centro-esquerda que quase conquistou maioria nas eleições parlamentares da Itália na semana passada, Pier Luigi Bersani, disse nesta quarta-feira aos chefes de seu partido que vai tentar formar um governo, embora não tenha conseguido a maior parte dos assentos no Senado.

Agência Estado

06 de março de 2013 | 09h46

Na abertura de um encontro do Partido Democrático, Bersani disse que qualquer aliança com o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, líder do grupo de centro-direita, "não seria praticável", mas afirmou ver possibilidade de diálogo com o Movimento Cinco Estrelas, encabeçado pelo comediante Beppe Grillo.

Bersani está sob pressão para apresentar um plano para a formação de uma coalizão que consiga aprovar um voto de confiança tanto na Câmara quanto no Senado.

A instabilidade política na Itália gerou preocupações de que a abordagem da zona do euro para superar a crise fiscal não esteja tendo eficácia. Segundo Bersani, a eleição italiana foi um "termômetro" de tensões de longa data e o ceticismo em relação ao euro está crescendo até mesmo da Alemanha, a economia mais sólida do bloco.

Favorita para vencer as eleições diretamente ou com o apoio do partido centrista do primeiro-ministro interino Mario Monti, a aliança de Bersani acabou tendo um desempenho bem inferior ao esperado nas urnas, perdendo sete regiões na votação para o Senado. Monti também apresentou uma performance bem abaixo da expectativa.

Bersani, no entanto, sinalizou que quer tentar formar um governo para lidar com uma série de questões importantes, que incluem mudar em um novo imposto sobre propriedades, auxiliar italianos afetados por novas regras previdenciárias, facilitar a cidadania para filhos de imigrantes nascidos na Itália e reduzir o custo do processo político.

"Estamos prontos para iniciar discussões sobre esses pontos", disse Bersani. O líder da centro-esquerda também afirmou que não vai "cortejar" o movimento de Grillo, mas reconheceu que é crucial entender as preocupações daqueles que o apoiam.

A Itália enfrenta hoje sua recessão mais longa no período de pós-guerra, com alta do desemprego e a pobreza ameaçando um crescente número de famílias, segundo dados oficiais. A crise da zona do euro trouxe à tona problemas com um histórico mais profundo, como a queda na taxa de poupança italiana para cerca de 8%, três vezes menor que o nível registrado na década de 1980. As informações são da Dow Jones.

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