Bersani rejeita aliança com Berlusconi e tentará governo de minoria na Itália

Pier Luigi Bersani, líder do Partido Democrático (PD, centro-esquerda) e primeiro colocado nas eleições parlamentares da Itália, descartou ontem a hipótese de formar um governo de coalizão com o ex-premiê Silvio Berlusconi. A aliança entre as duas coligações, que obtiveram 30% e 29% dos votos no final de semana, respectivamente, solucionaria o impasse político no país, mas contrariaria sua base eleitoral.

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / ROMA, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2013 | 02h04

Mesmo com a minoria no Senado, o ex-comunista promete governar a partir de 15 de março. A decisão de não se aliar a Berlusconi foi reiterada em entrevista publicada ontem pelo jornal La Repubblica. "Eu quero afirmar claramente: a ideia de uma grande coalizão não existe e não existirá jamais", afirmou, referindo-se à possível aliança com o partido Povo da Liberdade (PDL, centro-direita), liderado por "Il Cavaliere". Berlusconi foi mais uma vez alvo de denúncias nesta semana, quando o Ministério Público de Nápoles abriu uma investigação para apurar as suspeitas de compra de votos de parlamentares entre 2006 e 2008.

Distante de Berlusconi, Bersani chegou a acenar ao comediante Beppe Grillo, líder do "antipolítico" Movimento 5 Estrelas (M5S), convidando-o a discutir uma proposta de aliança. Por sua vez, Grillo recusou a oferta.

Ontem, Bersani prometeu apresentar na próxima quarta-feira ao presidente da Itália, Giorgio Napolitano, um programa de governo centrado em "sete ou oito pontos" de reformas que serão defendidos por seu governo. O passo seguinte será apresentar ao parlamento, em 15 de março, um pedido de voto de confiança, com o qual ele assumiria a presidência do Conselho de Ministros, passando a premiê. "Governo minoritário, governo de objetivos, chame-me como quiser. Eu chamo de governo da mudança", afirmou ao jornal.

O problema é que, sem uma coalizão, Bersani não terá a maioria no Senado, ficando à mercê de um voto de desconfiança a qualquer momento de sua gestão - o que implicaria na convocação de novas eleições. Para acalmar os ânimos, o PD analisa a hipótese de oferecer aos adversários a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, o que atribuiria à oposição "papeis institucionais". "Nós estamos prontos a analisar qualquer cenário", garantiu o ex-comunista.

No programa de Bersani, constarão reformas políticas e uma proposta que deve causar polêmica na Europa: a reorientação da política econômica do bloco, hoje baseada na austeridade fiscal. A prioridade passaria a ser o crescimento e a geração de emprego. "A austeridade por si só nos leva ao desastre. Na Europa, todos devem entender que o saneamento da dívida e do déficit é um tema que deve ser postergado", defendeu. "Agora existe outro tema urgente: o trabalho."

Um aliado de Bersani na corrida para a formação de um governo poder ser o tempo. Com o passar dos dias, a incerteza sobre o governo estaria levando eleitores de Grillo e do M5S a apoiar a ideia de uma coalizão ou, no mínimo, de uma aliança efêmera com vistas a conseguir realizar as reformas.

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