Betancourt assegura que não processará governo colombiano

Ex-refém das Farc pediu 13 bilhões de pesos de indenização

Efe,

12 de julho de 2010 | 05h44

BOGOTÁ - A ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt negou no domingo, 11, que vai processar o Estado colombiano pelos prejuízos ocasionados durante seu sequestro por parte das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e assinalou que os US$ 6,8 milhões que exige em uma ação de conciliação é um número simbólico.

Em entrevista divulgada pelo Canal Caracol, a ex-refém das Farc disse que a informação divulgada é distorcida e afirmou que não há nem haverá nenhum processo contra o Estado.

"Não há nenhum ataque contra o governo que me libertou nem contra o presidente Álvaro Uribe, a quem devo todo o agradecimento e reconhecimento. Não há um processo contra as Forças Militares que me tiraram das garras das Farc", diz, responsabilizando totalmente os rebeldes de seu sequestro de mais de seis anos.

Explicou que o que ela e sua família apresentaram foi uma solicitação de conciliação com a qual procura que as outras vítimas do terrorismo, como os parentes dos sequestrados, possam ser reparadas e indenizadas.

"Desde o princípio nós estabelecemos com os advogados que não íamos processar o Estado colombiano", ressalta.

Sobre a raiva e indignação que causou na Colômbia a milionária solicitação de Betancourt no valor de 13 bilhões de pesos (US$ 6,8 milhões) indicou que é simbólica e reconheceu que se arrepende de ter apresentado esse pedido da maneira que foi feita.

"Essa soma, que é astronômica e absurda,é simbólica porque é muito difícil taxar o sofrimento das famílias vítimas do terrorismo", comenta.

A ex-candidata presidencial assinalou que seus advogados fizeram-no em um afã de solidariedade com os demais ex-sequestrados que apresentaram processos de reparação.

Betancourt assegurou também que o Estado colombiano nunca aceitou uma ação de conciliação e por isso ela e seus advogados sabiam que os 13 bilhões de pesos que exigem era um "número totalmente simbólico e não representa nada".

"É necessário que o que aconteceu comigo não volte a acontecer com ninguém e me parece importante que os cidadãos possam conversar com o Estado colombiano e analisar os erros e dizer-lhe quando algo não está bem", diz.

A ex-refém das Farc acrescentou que no dia de seu sequestro lhe foram retirados os seguranças e os militares lhe permitiram a passagem a uma zona onde se apresentavam combates com a guerrilha.

"Manipular a segurança significa controlar a campanha de um candidato e isso é gravíssimo que aconteça no país", disse, especificando que para ela foi muito doloroso que os colombianos tenham fiado com a sensação de que o que ela procura é uma reparação milionária.

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