Bhutto convoca 'longa marcha' contra governo do Paquistão

Polícia reprime manifestantes no dia em que a ex-premiê se reuniu com opositores e convocou atos públicos

Agências internacionais,

07 de novembro de 2007 | 11h58

A ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto disse nesta quarta-feira, 7, que os simpatizantes da oposição iniciarão uma longa marcha a partir de Lahore no dia 13 de novembro se o presidente do país, Pervez Musharraf, não abandonar o comando das Forças Armadas.  Veja também:A cronologia do estado de emergência no Paquistão Paquistão acusa ONU de intromissão em assuntos internos Juiz deposto diz que é 'hora do sacrifício'Estado de emergência não é sustentávelBhutto desafiou Musharraf depois de realizar uma consulta com os líderes da oposição sobre a estratégia a ser adotada a fim de obrigar o presidente a suspender o estado de emergência decretado no sábado. "Se as exigências não forem atendidas até 9 de novembro, iniciaremos uma longa marcha de Lahore, no dia 13 de novembro, e então realizaremos uma mobilização em Islamabad", disse a repórteres Bhutto, líder do Partido do Povo Paquistanês (PPP), o maior da oposição. "O presidente Musharraf deveria honrar o compromisso assumido diante da Suprema Corte e a promessa feita ao Partido do Povo Paquistanês durante nossas negociações. Ele prometeu que deixaria o posto militar até 15 de novembro", afirmou Bhutto. "Antes de 15 de novembro, a comissão eleitoral do Paquistão deveria anunciar datas de eleições e os juízes, advogados e ativistas políticos deveriam ser libertados", acrescentou.   As autoridades, no entanto, avisaram que a polícia não vai permitir a realização do protesto. "Vamos assegurar que não seja violada a proibição oficial, e, se isso acontecer, o governo vai agir de acordo com a lei", afirmou o prefeito de Rawalpindi, Javed Akhlas. Ele disse à agência de notícias Associated Press que existe uma "forte ameaça" de um novo ataque suicida contra Bhutto, que sobreviveu a um atentado há quase três semanas, no qual mais de 140 pessoas morreram. Segundo a BBC, ce ntenas de simpatizantes da ex-primeira-ministra entraram em choque com a polícia nesta quarta-feira, em Islamabad, em frente ao Parlamento paquistanês. Os policiais usaram bombas de gás lacrimogênio contra os manifestantes, e há relatos de que vários deles também teriam sofrido golpes de cacetete.  De acordo com analistas, uma grande manifestação popular neste momento pode aumentar dramaticamente os interesses na crise política do país.  Encontro com a oposiçãoBhutto se reuniu nesta quarta-feira com outros grupos de oposição em Islamabad, mas alguns dos principais nomes não estavam presentes, como o partido do ex-premiê Nawas Sharif e o ex-jogador de críquete Imran Khan. Khan é um dos vários políticos proeminentes que estão em prisão domiciliar, após decreto expedido no sábado, em que o governo explica que foi motivado por razões de segurança nacional. Nesta quarta-feira, ele conseguiu despistar os guardas em sua casa e gravou um apelo em vídeo, no qual diz que quer inflamar todos os setores da sociedade em direção a "grandes protestos". "Se não resistirmos e não levantamos nossa voz contra esta situação, ele (o general Musharraf) vai levar o país para a destruição", afirmou Khan. Retorno ao PaquistãoCentenas de milhares de simpatizantes deram as boas-vindas a Bhutto quando a ex-premiê regressou a Karachi no dia 18 de outubro, colocando fim a mais de oito anos de exílio voluntário. Mas o clima de celebração durou pouco. Um atentado suicida realizado perto do comboio que a transportava matou ao menos 139 pessoas. Musharraf prometeu que Bhutto não seria processada devido a antigas acusações de corrupção que, segundo a ex-dirigente, surgiram devido a motivações políticas. Houve especulações de que os dois poderiam compartilhar o poder após o pleito nacional, previsto para acontecer em janeiro. Mas os boatos sumiram quando o presidente impôs o regime de emergência. Outros partidos oposicionistas afirmaram que Bhutto não deveria nunca ter negociado com um líder militar. Mas a ex-primeira-ministra disse que sua intenção era garantir que o país fosse reconduzido à democracia, com a realização de eleições justas e livres.

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