Bhutto exige que Musharraf deixe presidência do Paquistão

Ex-premiê é mantida em prisão domiciliar desde a noite de segunda-feira para não participar de manifestações

Efe,

13 de novembro de 2007 | 06h49

A ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto exigiu nesta terça-feira, 13, que o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, abandone a chefia do Estado e das Forças Armadas, ao considerar que o general "foi longe demais".  Veja também: Polícia isola casa onde Bhutto cumpre prisãoBhutto é presa antes de protesto  "Musharraf deveria renunciar como chefe do Exército e como presidente", disse a ex-governante, em Lahore, no leste do país. Benazir recebeu na noite de segunda-feira uma ordem de prisão residencial, quando se preparava para liderar uma manifestação de protesto contra o estado de exceção. Em declarações dadas na casa onde está confinada desde a madrugada, Bhutto afirmou que o presidente acabou "com o caminho da democracia" no Paquistão. Há muito tempo Bhutto pressiona Musharraf a deixar o posto de chefe das Forças Armadas e se tornar um presidente civil, mas foi a primeira vez que ela pediu que ele renuncie à Presidência. A ex-primeira-ministra, segundo o canal Dawn, afirmou que o Partido Popular do Paquistão (PPP), que ela lidera, não mantém conversas com o general, "nem direta nem indiretamente". Foi uma referência ao acordo de poder compartilhado que vinha sendo negociado há meses. Bhutto também declarou pela primeira vez que não será primeira-ministra sob a liderança de Musharraf. "Não servirei como primeira-ministra enquanto Musharraf for presidente", disse. "As negociações entre nós se romperam devido ao uso da força policial contra mulheres e crianças." Ela também opinou que os EUA "agem bem ao pressionar Musharraf a voltar à democracia". Mas considerou que o general, que declarou o estado de exceção no Paquistão no dia 3, "não está escutando" os seus próprios aliados. Bhutto está retida na casa de um dirigente do PPP. O governo regional de Punjab emitiu uma ordem de prisão domiciliar contra ela, válida por uma semana. Prisão domiciliar As autoridades isolaram as ruas próximas com barricadas e cercas de arame farpado, com centenas de policiais reforçando a vigilância. As medidas, afirmam, foram tomadas para garantir a segurança da líder oposicionista. As forças de segurança lançaram na segunda-feira à noite uma batida em Lahore e detiveram cerca de 200 ativistas do PPP. Em todo o Punjab são cerca de 3 mil militantes de oposição detidos, segundo um porta-voz do partido. O objetivo é impedir a grande manifestação convocada para esta terça-feira pelo partido de Bhutto contra o estado de exceção, um protesto que o governo declarou ilegal. A crise no Paquistão, detentor de armas nucleares, provocou temores sobre a estabilidade no país e sua habilidade em combater uma crescente militância islâmica. Musharraf suspendeu a Constituição, demitiu a maior parte dos juízes, deteve advogados, oposicionistas, ativistas e limitou a liberdade de imprensa.

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