Bhutto isenta governo do Paquistão de ataque que matou 136

Embora não culpe Pervez Musharraf, ex-premiê apontou falhas na segurança como fator que propiciou atentado

Agências internacionais,

19 de outubro de 2007 | 10h51

A ex-primeira-ministra Benazir Bhutto isentou o governo do atual presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, da responsabilidade pelo atentado que matou pelo menos 136 pessoas e feriu outras 250 na noite de quinta-feira, 18, em Karachi, durante um ato de boas vindas em sua homenagem.   Veja Também Saiba quem é a ex-premiê Benazir Bhutto Guterman: Uma mulher, muitos inimigos  Após exílio, ex-premiê chega ao Paquistão Partido declara três dias de luto por atentado Para EUA, atentado pretende 'fomentar medo' Mortes em ataque chegam a 133   No entanto, em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira, 19, a ex-premiê disse que o aparato de segurança montado para recebê-la era falho. Ela culpou ainda seguidores do general Mohammad Zia-ul-Haq, ex-líder do exército paquistanês que em 1977 depôs o pai de Bhutto, o ex-primeiro-ministro e Partido do Povo do Paquistão (PPP), Zulfikar Ali Bhutto. O ex-premiê foi executado dois anos mais tarde, em 1979. O general morreu em um circunstâncias misteriosas em um acidente aéreo em 1988.   Segundo Bhutto, o governo de Musharraf já tinha conhecimento das ameaças de um grande atentado feitas por vários grupos terroristas islâmicos, entre eles o Taleban e a Al-Qaeda, e poderia ter tomado mais precauções para prevenir o ataque.   "Eu não estou acusando o governo, mas certos indivíduos que abusam de suas posições e poderes", disse ela.   A ex-premiê sublinhou ainda que no momento da explosão, as luzes nas ruas próximas ao local em que seus simpatizantes se encontravam haviam sido apagadas, dificultando o trabalho das forças de segurança.   "Nós estávamos monitorando a multidão com holofotes, mas estava difícil, porque havia muita escuridão." Bhutto pediu uma investigação para apontar culpados.   As duas explosões ocorreram quando a comitiva passava lentamente por uma multidão de mais de 100 mil pessoas. A ex-primeira-ministra saiu ilesa do atentado, mas o veículo em que viajava teve as janelas estilhaçadas e uma porta arrancada.   Segundo Bhutto, dois atacantes estavam por trás do atentado. Ela afirmou ainda que sua equipe encontrou um terceiro homem armado e outro com uma veste suicida.   "Sei exatamente quem quer me matar. São as autoridades do antigo regime do general Zia-ul-Haq que hoje estão por trás do extremismo e do fanatismo", disse Bhutto em entrevista durante a noite passada a um enviado especial da revista francesa Paris Match.   Investigações   O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, disse que o ataque foi uma "conspiração contra a democracia". De acordo com agências locais, o chefe de governo teria ligado para a ex-premiê ainda na noite de quinta e garantido uma minuciosa investigação para encontrar os culpados.   O marido de Bhutto, Asif Ali Zardari, acusou agências de inteligência paquistanesas de envolvimento. Muitos paquistaneses compartilham desta suspeita.   Vários grupos islamitas, inclusive militantes pró-Taleban, fizeram ameaças a Bhutto. Segundo a ex-premiê, eles se sentiriam traídos pelo apoio do governo paquistanês aos Estados Unidos.   Bhutto argumentou que "os taleban e extremistas islâmicos não podem agir sozinhos. Não podem cometer seus atentados suicidas a partir de uma gruta de montanha. Precisam de uma logística, alimentos, armas e alguém que os supervisione".   Retorno   Oito anos após exilar-se, Bhutto foi recebida na quinta-feira por cerca de 150 mil simpatizantes do seu Partido Popular do Paquistão (PPP). Cerca de 20 mil policiais e paramilitares foram destacados para escoltá-la.   A ex-premiê voltou ao país para liderar o PPP nas eleições nacionais, previstas para janeiro. Caso seu partido consiga a maioria no Parlamento, ela deve contar com o apoio de simpatizantes do presidente Pervez Musharraf para eleger-se primeira-ministra.   A ex-premiê volta ao Paquistão após supostamente firmar um acordo com Musharraf, que retirou acusações de corrupção contra ela e prometeu deixar a chefia do Exército em novembro em troca do apoio do PPP, que ajudou reelegê-lo nas eleições presidências do início de outubro.   Texto ampliado às 13h07

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