Bhutto quer ajuda externa para apurar atentado no Paquistão

Segundo a ex-primeira-ministra, comunidade internacional tem conhecimento para investigar ataques desse tipo

Kamran Haider, da Reuters,

21 de outubro de 2007 | 17h56

A ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto defendeu neste domingo, 21, que o governo do país busque ajuda internacional para as investigações do atentado suicida da semana passada. Bhutto, que voltava ao Paquistão depois de oito anos no exílio, foi o alvo do ataque.  As duas explosões mataram 139 pessoas nas primeiras horas da sexta-feira, durante trajeto de Bhutto pelas ruas de Karachi, lotadas por simpatizantes que lhe davam boas-vindas.  Ninguém assumiu responsabilidade pelo ataque, mas o governo suspeita que militantes ligados à Al-Qaeda, que têm como base a fronteira com o Afeganistão, foram os responsáveis. Nos últimos meses, eles promoveram uma série de ataques similares contra forças de segurança e outros alvos, deixando centenas de mortos.  "Queremos que o governo do Paquistão busque assistência da comunidade internacional. Eles têm conhecimento antiterrorista para investigar ataques dessa natureza", afirmou a ex-premiê à imprensa depois de uma cerimônia religiosa pelas vítimas.  Ao mesmo tempo que suspeita de militantes islâmicos, ela deu a entender que também desconfia do envolvimento de elementos das agências segurança pelo fomento a tais atos de violência.  Bhutto afirmou ter escrito uma carta ao presidente Pervez Musharraf antes do seu retorno, na qual citava pelo menos três pessoas que poderiam estar envolvidas em ações contra ela. A ex-premiê não deu o nome dessas pessoas. "Simpatizantes dos militantes e da Al-Qaeda estão determinados a frear a democracia, porque eles não querem a ascensão de uma maioria moderada", disse ela.  Também neste domingo, mais cedo, Bhutto realizou uma visita de surpresa a um hospital de Karachi, onde se encontrou com algumas das mais de 300 pessoas feridas no ataque da semana passada, informou um porta-voz de seu partido.  A polícia declarou ter diversas pistas em relação ao atentado e que as investigações progridem, mas não deram mais detalhes. No sábado, autoridades divulgaram uma foto do rosto do suspeito de ser o homem-bomba e ofereceram uma recompensa para quem o reconhecesse.  O governo anunciou que a violência não afetaria os planos para a realização de eleições gerais, embora a campanha tenha que talvez ser restringida pela ameaça de violência.

Tudo o que sabemos sobre:
Benazir Bhutto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.