Bhutto teve responsabilidade em sua morte, diz Musharraf

O presidente do Paquistão, PervezMusharraf, admitiu que um atirador pode ter atingido BenazirBhutto, mas disse que a líder oposicionista se expôs ao perigoe tem responsabilidade por sua morte, afirmou a CBS News nosábado. Segundo a emissora, Musharraf também disse ao programa "60Minutes", que irá ao ar pela CBS neste domingo, que seu governofez tudo o que pôde para garantir a segurança de Bhutto, mortana semana retrasada num atentado suicida e ataque a tiros,depois de um comício. "Por ter ficado de pé fora do carro, acho que ela é a únicaa ser culpada. Ninguém mais. A responsabilidade é dela",Musharraf disse na entrevista, gravada no sábado de manhã. O governo do Paquistão tem dito que Bhutto morreu ao batercom a cabeça no teto solar de seu carro --uma alegaçãoamplamente refutada no Paquistão, onde muitas pessoas suspeitamda cumplicidade do governo de Musharraf. O governo tambématribuiu o ataque à rede Al-Qaeda. A CBS, que divulgou trechos da entrevista, também perguntoua Musharraf se um atirador poderia ter causado o ferimentomortífero na cabeça de Bhutto. Ele respondeu: "Sim, sim". O entrevistador depois perguntou: "Então, ela pode ter sidoatingida por tiros?". E Musharraf respondeu: "Sim, claro, sim, possivelmente". A CBS também perguntou a Musharraf se ele acredita que ogoverno fez todo o possível pela segurança dela. "Certamente",disse ele. "Ela recebeu mais segurança do que qualquer outra pessoa". O viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari, requisitou no sábadouma investigação da ONU sobre o assassinato. Num artigo no"Washington Post" ele pediu que um governo interino sejanomeado para supervisionar as eleições nacionais, adiadas parao mês que vem. "A democracia no Paquistão pode ser salva, e o extremismo efanatismo contido somente se as eleições, quando realizadas,forem livres, justas e dignas de crédito", ele escreveu. Zardari é o novo presidente do partido de Bhutto, o Partidodo Povo do Paquistão (PPP), cargo que divide com o filho dela,Bilawal. Aliado dos EUA na guerra contra o terrorismo, Musharrafadiou a eleição de 8 de janeiro para 18 de fevereiro. Há aexpectativa de que o PPP se beneficie da onda de simpatia porBhutto. Musharraf, cuja reeleição para presidente, em outubro,ainda é questionada pela oposição, vai precisar do apoio nopróximo Parlamento e parece disposto a renovar os esforços paraalcançar um acordo com o partido de Bhutto, dizem analistas. Zardari tem dito que o PPP tomará parte na votação. Mas aseleições, escreveu ele no "Post' têm de ser conduzidas sob um"novo governo, interino, neutro, livre dos aliados do partidode Musharraf". Ele também pediu uma comissão eleitoral independente,monitorada por observadores internacionais treinados, comacesso às seções eleitorais.

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