Bhutto vai à capital paquistanesa discutir estado de emergência

Ex-premiê viaja a Islamabad para discutir reação à crise com líderes da oposição; advogados mantêm protestos

REUTERS

06 de novembro de 2007 | 12h36

A oposição paquistanesa busca naterça-feira uma resposta unida à adoção do estado de emergênciapelo governo, mas enquanto isso não ocorre os advogadosprotestaram sozinhos pelo segundo dia consecutivo, enfrentandoinclusive agressões físicas da polícia. A ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que encerrou no mêspassado um exílio de oito anos depois de receber do governoimunidade em relação a acusações de corrupção, viajou deKarachi a Islamabad para encontrar outros líderesoposicionistas, mas disse que não vai se encontrar sozinha como presidente Pervez Musharraf negociar. A oposição -- inclusive Bhutto -- critica o estado deemergência, mas até agora não tomou providências concretas.Assim, as únicas manifestações públicas partem dos advogados --centenas dos quais foram agredidos por policiais com cassetetese presos. Os Estados Unidos esperavam que houvesse uma divisão depoderes entre Bhutto e Musharraf depois das eleições previstaspara janeiro. A ex-primeira-ministra vem consultando outroslíderes da oposição a respeito da crise mais séria no paísdesde que o golpe que levou o general Musharraf ao poder, em1999.Ela qualificou o estado de emergência como "mini-lei marcial",mas ainda não levou seus seguidores à ruas. O presidente dos EUA, George W. Bush, que valorizaMusharraf como aliado na luta contra a Al Qaeda e o Taliban,pediu ao general na segunda-feira que suspenda o estado deemergência imposto no sábado, realize eleições e renuncie aocomando do Exército. Em Islamabad, soldados mantêm na terça-feira barreiras comarame farpado perto do palácio presidencial, do Parlamento e daSuprema Corte. Em Karachi, a polícia barrou advogados quetentavam entrar na Corte Superior. Em Multan (centro), a polícia usou cassetetes para atacarmais de 12 advogados que atiravam pedras e pediam a renúncia deMusharraf. Uma testemunha da Reuters viu os advogados sendolevados num caminhão. Cerca de outros 12 foram presos na Corte Superior de Lahore(leste), segundo um fotógrafo da Reuters. Em Islamabad, umprotesto com cerca de 200 advogados transcorreu pacificamente. O estado de emergência aparentemente é uma tentativa deMusharraf de evitar que a Suprema Corte invalide sua reeleiçãoindireta como presidente, em outubro, sob a alegação de que eledeveria ter abandonado o comando do Exército. Após demitir juízes "rebeldes", Musharraf vem preenchendo aCorte Suprema com figuras mais simpáticas ao governo. Naterça-feira, outros quatro tomaram posse, elevando o total dejuízes a 9 -- bem aquém do total original de 17. O primeiro-ministro Shaukat Aziz disse na segunda-feira queas eleições de 2008 serão realizadas, algo que Musharraf aindanão confirmou. O ministro da Justiça Malik Abdul Qayyum disse que asassembléias nacional e provinciais serão dissolvidas em 15 denovembro, ao final de seus mandatos, e que haverá eleições atémeados de janeiro. (Com reportagem adicional de Kamran Haider, Zeeshan Haidere Augustine Anthony em Islamabad, Imtiaz Shah, Sahar Ahmed eOvais Subhani em Karachi)

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