Bhutto volta ao Paquistão durante estado de emergência

Ex-premiê e líder da oposição chega sob ameaça de ser presa ou deportada; Constituição está suspensa

Associated Press,

03 de novembro de 2007 | 17h18

A líder da oposição no Paquistão Benazir Bhutto chegou neste sábado, 2, ao Paquistão em meio a um estado de emergência decretado pelo presidente Pervez Musharraf.   Veja também: Presidente paquistanês suspende Constituição EUA dizem que emergência é frustrante Musharraf nomeia presidente da Suprema Corte Crise política no Paquistão atinge sua pior fase Após golpe, Musharraf suspende Constituição   Cerca de 100 paramilitares estão reunidos na frente da casa da ex-primeira-ministra, em Karachi. "Ela aguarda no avião para ver se será presa ou deportada", afirmou o porta-voz da política, Wajid Hasan, horas antes dela desembarcar. Ainda não está claro se os agentes fazem parte de uma comitiva para protegê-la ou para prendê-la. Um esquadrão antibombas também está no local.   Neste sábado, Musharraf suspendeu a Constituição do país, interrompeu as transmissões de redes de televisão e rádio privadas e nomeou um novo chefe para a Suprema Corte. Segundo o presidente, a manobra é uma resposta às atividades de militantes islâmicos nas regiões tribais do país. A decisão, entretanto, ocorre pouco tempo depois de o presidente da Suprema corte, juiz Iftikhar Chaudhry, e outros oito colegas declararem ilegal e inconstitucional a nova ordem imposta por Musharraf para concorrer à reeleição no próximo mês enquanto continua dirigindo o Exército.   Ao deixar o avião, Bhutto disse que planeja se encontrar com líderes políticos para discutir uma estratégia de reverter a decisão do presidente paquistanês de suspender a Constituição.   Segundo ela, o estado de emergência é um plano de Musharraf para atrasar as eleições "por pelo menos um ou dois anos".   Depois de passar oito anos no exílio, Bhutto é vista como peça-chave para a estabilização da democracia no Paquistão. Ela retornou neste sábado de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde visitou sua família pelos últimos dois dias.   "O povo quer liderança. Voltei ao país para poder encorajar as pessoas, para levantar seu moral", disse ela à Sky News ao chegar ao Paquistão. "Planejo me encontrar com outros líderes políticos de partidos e discutir com eles uma direção de ação para reverter a suspensão da Constituição."   Há algumas semanas, quando voltou pela primeira vez ao Paquistão em oito anos, ela foi alvo de um atentado que deixou cerca de 140 mortos.

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