''Bibi'' acena a radical e promete reter terras

Candidato favorito em Israel tenta cooptar partidários de ultradireitista

The Guardian, Jerusalém, O Estadao de S.Paulo

06 de fevereiro de 2009 | 00h00

À frente na corrida eleitoral que escolherá o próximo primeiro-ministro israelense, o líder do partido de direita Likud, Binyamin "Bibi" Netanyahu, rejeitou ontem a possibilidade de devolver terras ocupadas por Israel na Cisjordânia aos palestinos. As terras, justificou Netanyahu em comício, seriam "tomadas por extremistas". O candidato ainda deu a entender que não conterá o crescimento dos assentamentos judaicos no território palestino.Segundo pesquisas, o Likud deve mais do que dobrar sua presença na Knesset - o Parlamento israelense - nas eleições de terça-feira, passando de 12 para 26 cadeiras. O centrista Kadima, liderado pela chanceler, Tzipi Livni, teria 23 assentos, seguido pelo ultradireitista Israel Beiteinu, de Avigdor Lieberman, com 21. Os trabalhistas, liderados pelo ex-premiê e atual ministro da Defesa, Ehud Barak, devem obter 16 cadeiras.Tentando angariar votos de imigrantes vindos da ex-URSS, Netanyahu disse que se eleito dará ao radical Lieberman um "ministério-chave". Ex-integrante do movimento clandestino de ultradireita Kach, Lieberman adotou o slogan "sem lealdade, não há cidadania".Se o direitista confirmar o favoritismo das pesquisas e levar adiante sua retórica de campanha, deverá entrar em rota de colisão com o governo de Barack Obama, principalmente com seu enviado ao Oriente Médio, George Mitchell. Analistas afirmam que Washington aumentará a pressão para que Israel congele os assentamentos na Cisjordânia e, futuramente, negocie uma retirada em troca de paz com os palestinos.O fim da expansão israelense no território foi recomendado em 2001 pelo próprio Mitchell, em um relatório sobre a região.Em vez de negociações com a Autoridade Palestina, o líder do Likud defende um projeto de desenvolvimento - um plano de "paz econômica". O direitista também é contra a devolução à Síria das Colinas do Golan.SHALITAyman Taha, um alto dirigente do Hamas afirmou ontem que, para Israel, a libertação do soldado israelense Guilad Shalit, sequestrado pelo grupo islâmico em 2006, deixou de ser uma precondição para um acordo sobre Gaza. A declaração foi feita a uma TV egípcia. Até ontem à noite Israel não havia comentado a declaração.

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